“A Morte de Ivan Ilitch”: Tolstói traduz a decadência

a-morte-de-ivan-ilitchA leitura dos “Contos Completos” de Tolstói me fez buscar “A Morte de Ivan Ilitch”, que não entrou na coletânea organzida por Rubens Figueiredo para a Cosac Naify – a justificativa é que o história se coloca mais como uma novela.

“A Morte de Ivan Ilitch” é uma obra-prima da narrativa curta, escrita na fase final da vida do escritor russo. Li já faz um bom tempo, mas reli trechos recentemente, por conta do impulso que os contos do russo me deram.

Tenho a edição da Editora 34, casa que faz um excelente trabalho em traduzir a literatura russa para o português. Neste, Boris Schnaiderman revê sua tradução feita para uma compilação da Ediouro, lançada em 2000.

É impressionante como Tolstói descreve a decadência física de Ilitch, um juiz que casou por conveniência e alcançou uma vida sossegada, ao mesmo tempo em que descobre traições e jogos de interesse no trabalho e uma família vazia e desinteressante.

Descobre-se doente e tem que enfrentar a dor física e a dor moral. Não encontra suporte entre mulher e filhos, vê-se à mercê de inúmeros médicos e só vai achar algum alívio num criado, Guerássim, que se torna uma espécie de porto seguro. Enquanto todos mentem, o criado lhe diz a verdade, ainda que ela seja cruel.

Sentimos a dor de Ilitch, descrita sem tantos detalhes, mas com tal precisão que basta o instantâneo da cena para nos afligirmos. Sufoca em vários momentos. Tolstói é brutal, pois incomoda muito mais a luta contra o espírito do que contra a doença.

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“‘Eu não existirei mais, o que existirá então? Não existirá nada. Onde estarei então, quando não existir mais? Será realmente a morte? Não, não quero.’ Sufocava de raiva. Teve uma sensação penosa, torturante, intolerável. Não podia ser verdade que todos estivessem condenados para sempre a este medo terrível. Levantou-se. ‘E o que será se realmente toda a minha vida, a minha vida consciente, tiver sido ‘outra coisa’?”

Geneton Moraes Neto, 1956-2016

 

“A condição de repórter em Geneton é imbatível, é nele uma segunda natureza e, como profissional, a própria razão de ser. (…) Ele tem duas qualidades que o lendário Herbert Mathews apontava como essenciais num repórter: a humildade e a paciência. No trato com a notícia, que respeita reverente e trata com unção, Geneton é impecável.”

Joel Silveira assim escreve nas orelhas de “Dossiê Drummond”, livro que traz uma entrevista de Geneton Moraes Neto com o poeta Carlos Drummond de Andrade feita em 1987. Já escrevi sobre a obra neste post, livro que Paulo Francis classificou como “uma grande reportagem biográfica”.

Geneton morreu na segunda-feira (22/8), aos 60 anos. Jornalista com raro bom humor, em uma categoria pouca afeita a esse tipo de inteligência nestes dias tão polarizados e burros, ele dominava a arte da entrevista e fazia com que seus personagens se sentissem tão à vontade e confiantes que transformava uma ação jornalística num bate-papo casual em pouco tempo.

Sem deixar de lado a busca pela informação, as entrevistas caminhavam por uma rota que sempre deixava claro qual era seu objetivo, o mais caro ao jornalista: a notícia, o fato novo, um viés pouco conhecido do seu personagem. Como na série feita com os generais da ditadura. Ou o documentário do sertão brasileiro.

Como em Drummond, que se confessou piromaníaco, descrito nesse belíssimo dossiê. Livro que classifiquei como tão essencial quanto a obra do poeta – claro, guardadas as proporções devidas, pois coisas diferentes, ainda que uma possa ajudar a entender a outra.

Certamente, Geneton fará falta.

1807geneton

 

 

Os contos de Tolstói e a chance de redenção

Há alguns meses, li em sequência quatro livros de não ficção que me deixaram de certa forma fora do rumo. Os temas não facilitaram: cultura do estupro em “Missoula”, preconceito de gênero em crianças afegãs em “Meninas de Cabul”, terrorismo doméstico em “Um de Nós” e terrorismo do Estado em “Vozes de Tchernóbil”.

Essa sequência me impediu de entrar em outros livros. Comecei e parei um bom par de títulos, sem ter concentração suficiente para continuar e se envolver com a história. Nem romances policiais deram conta, como “Acqua Alta”, de Donna Leon, pode testemunhar.

Ao mesmo tempo, as noites ficavam mais vazias, sem aquele tempo precioso dedicado à leitura. E isso me angustiou por uns dias, até que decidi fazer outra tentativa. Desta vez, fui a Tolstói.

Peguei um romance, “Os Cossacos” (Amarilys), que começou bem, mas depois voltei a ficar desconcentrado quando atingi a metade. Tentei reler “Kadhji Murát” (Cosac Naify), novela que considero um dos grandes feitos do autor russo. Mas nem passei da página 10.

contos-completosBusquei então tentar enganar o cérebro, uma insistência que se revelou um grande acerto. Fui à estante pegar os “Contos Completos” (Cosac Tolstói), obra que reúne os textos curtos do escritor em três volumes.

Foi nesse momento que encontrei aconchego. Não só porque a edição permite essa sensação – o formato se encaixa nas mãos e permite o manuseio sem grandes dificuldades -, mas principalmente graças ao texto do russo.

Dos três volumes, escolhi o segundo, que reúne os “Livros Russos de Leitura”, quatro coletâneas de pequenas fábulas morais, cada uma tão curta que poucas avançam para a segunda página.

A leitura então fluiu com segurança e tranquilidade, me deixava cada vez mais magnetizado pela potência do texto de Tolstói, que, com temas que poderiam soar infantis ou tolos, transforma as histórias em exercícios de linguagem e alta literatura.

O ápice surgiu quando alcancei a parte final do volume 2, “Contos Populares (1880)”. Da memória dos fabulosos “Padre Sérgio” (Cosac Naify) e o “O Segredo de Ivan Ilitch” (Editora 34), emergiu desses contos a construção de personagens que insistem em colar e se transformar em imagens vívidas, tão vívidas que a sensação é de algo realmente presenciado.

Seus 17 contos não só me devolveram a fluência da leitura, mas me apresentaram a outro Tolstói. O escritor explora seu cristianismo por meio de fábulas morais, típicas de textos religiosos. Ao final de cada um, podemos até esperar a moral da história, mas Tolstói, apesar de usar a estrutura do gênero, escapa dessa solução.

Ele leva seus personagens ao extremo, introduz tons cinzentos nos caráteres de cada um deles, sem deixar claro quem é bom ou mau. Daí surgem “Os Três Eremitas”, “Do que Vivem os Homens?”, “De Quanta Terra Precisa um Homem”, “Dois Velhos” e “O Afilhado”, obras-primas do formato curto.

Ao chegar ao final, estava aliviado. Daquelas leituras que precisam ser revisitadas, esses contos me devolveram o prazer da leitura após ler sobre o quão terrível o homem pode chegar – e se superar.

“O Dono do Morro” é a história de como o acaso moldou um traficante

Misha Glenny escreve muito bem. O jornalista inglês tem três livros lançados no Brasil, daqueles que são devorados em curto espaço de tempo. “McMáfia”, mesmo com suas 464 páginas, se transforma em vício logo depois de iniciada a leitura. Trata das organizações criminosas ao redor do mundo, inclusive o Brasil, e como elas coexistem. Entre as atividades investigadas, o cybercrime.

Tema de “Mundo Sombrio”, livro que percorri em duas noites. Glenny investiga como a tecnologia se tornou uma aliada imprescindível para o crime.

o-dono-do-morroDepois de ter passado levemente pelo Brasil nos dois livros, Glenny escolheu o país para protagonizar o recém-lançado “O Dono do Morro”, um perfil aprofundado de Nem, traficante que comandou a Rocinha por quase cinco anos – todos os livros foram lançados pela Companhia das Letras.

Para isso, o jornalista chegou a morar um tempo na favela. Conversou com moradores, investigadores e com Nem, no presídio de Campo Grande, onde cumpre pena.

Não é um livro tão ambicioso quanto “Abusado” (Record), a história de Marcinho VP escrito por Caco Barcellos – há pouco da vida social de Nem, principalmente o recorte que envolve celebridades do Rio de Janeiro. Mas Glenny consegue imprimir um retrato vigoroso de Nem, de como ele passou de um trabalhador comum e pai de uma menina doente a dono e chefe do tráfico da Rocinha – e essa história comove diante da força do acaso, que leva uma pessoa comum a se tornar um criminoso procurado por conta de uma doença rara que acometeu sua filha.

Em alguns momentos, o leitor fica com a impressão de estar com um resumo da história, pois Glenny acelera algumas passagens e esbarra na superficialidade. Mas se considerarmos que o livro não é uma reportagem aprofundada, mas sim um perfil mais alentado, o leitor estará diante de 360 páginas transformadas em thriller.

O olhar estrangeiro não foi tão condescendente nem preconceituoso. Em muitos casos, estrangeiros têm aquela visão romantizada da vida na favela, o que não acontece aqui. Glenny descreve o calor, o cheiro e a estrutura da favela com a autoridade de quem conheceu a realidade. Ao mesmo tempo, ao deixar a glamourização característica de lado, escapa de tratar a favela como um horror. Reconhece a paixão dos moradores pelo local onde moram sem deixar de lado a situação social em que vivem – normalmente, uma população que vive na favela e trabalha para a classe média e alta do Rio de Janeiro.

Peca ao não avançar num tema que martela ao longo de todo o livro: tanto o consumo como verdadeiro poder sobre as drogas não estão nas favelas, mas em políticos, empresários e ricaços do asfalto. Ele passa superficialmente sobre o assunto, talvez abrindo uma possibilidade de um novo livro.

Da mesma forma, passa rapidamente pelas UPPs, um modelo de tentativa de controle sobre o tráfico que está desmoronando. Vale, sim, pela forma como ele impõe um ritmo vertiginoso quando o Estado começa a preparar as subidas aos morros para se instaurar, ao mesmo tempo em que caça traficantes e as quadrilhas. E chega ao ápice no relato do plano de negociação da rendição de Nem, transformada em prisão – um mistério ainda não desvendado.

Sim, não se pode esquecer que o primeiro intuito é perfilar Nem. Em volta dele é que Glenny constrói toda a narrativa e os fatos que compõem a história do personagem – do trabalhador que sobe o morro para pedir um empréstimo para salvar a vida de sua filha, do crescimento na hierarquia do tráfico, do seu estilo pacificado de comandar a Rocinha, do declínio e seu fim como homem livre – ou, como ele escreve, o homem que “subiu o morro como Antonio e desceu como Nem”.

“O Dono do Morro” não encerra o assunto. Preenche um espaço na bibliografia brasileira, mas deixa em aberto investigações que ainda precisam avançar.

Notas de Leitura – A história reinventada de Cristo em três livros

A leitura de “O Reino”, de Emmanuel Carrère, me fez buscar na estante três livros que ficcionam o nascimento do Cristianismo e a história de Jesus. Reli trechos de dois e um por completo.

Eis o resultado.

livro-o-evangelho-segundo-o-filho-norman-mailer-13760-MLB71179151_4206-O“O Evangelho Segundo o Filho” (Record), de Norman Mailer
Este foi o livro que reli por completo. Não é dos melhores livros de Mailer, mas a história de Cristo narrada pelo olhar do personagem até traz algum frescor. Em capítulos curtos, Mailer conduz a história de forma breve, sem grandes investimentos. Funcionou bem como exercício de imaginação. Ele é um ótimo escritor, com prosa firme e que sabe conduzir o leitor pelo caminho que quiser – basta ler a coletânea de reportagens políticas “O Super-Homem Vai ao Supermercado” ou “A Canção do Carrasco”. Se a perspectiva muda, ao deixar o personagem principal narrar e discordar da “história oficial” dos evangelhos, pouco se acrescenta nessa versão, polêmica à época de seu lançamento (1998). Soa como uma tentativa quase juvenil de recontar uma fábula.

saramago“O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (Companhia das Letras), de José Saramago
Esta é, sim, uma leitura mais elaborada da recriação dos quatro evangelhos fundadores, Mateus, Marcos, Lucas e João. Não é um livro fácil, portanto, sua releitura não me interessou tanto, servindo apenas como lembrança de como reagi a ela da primeira vez – não sou fã nem leitor regular de Saramago, sua prosa não me agrada, com exceção de “Ensaio sobre a Cegueira”. A introspecção do narrador sugere uma história sendo contada pela primeira vez, com fluxos que permitem um simbolismo mais amplo, sem se preocupar com a herança religiosa que permeia o senso comum. Saramago provocou uma espécie de refundação do mito.

a-ultima-tentacao“A Última Tentação” (Grua), de Nikos Kazantzákis
Com as memórias do filme de Martin Scorsese, retirei o livro do autor grego, excomungado pela Igreja Ortodoxa Grega à época do lançamento, em 1954 – o livro entrou para a lista de títulos proibidos pela Igreja Católica Apostólica Romanda, o Index Librorum Prohibitorum. Se o livro de Mailer emerge como reducionista, e por isso desaponta, este vai além ao inserir um tom engajado, de questionamento ideológico. O autor explora os embates que Jesus enfrentou em sua caminhada e o coloca como um homem comum. Quase panfletário, tem boas passagens, mas fica além do prometido. Sem contar que em boa parte do livro ficamos diante de um questionamento sem-fim por parte de Jesus, que leva ao cansaço e não apresenta uma saída narrativa – o autor se prende ao próprio labirinto e leva o leitor junto a essa caminho repetitivo e enfadonho

“O Reino”, de Emmanuel Carrère: uma decepção indecifrável

Sou fã de Emmanuel Carrère desde a primeira vez que o encontrei, em “Outras Vidas que Não a Minha” (Alfaguara), há cinco anos. A partir dessa leitura, li tudo o que está disponível em português do autor francês, a saber: “O Adversário” (Record), “Limonov”, “Um Romance Russo” e “O Bigode / A Colônia de Férias” (estes três últimos da Alfaguara).

o-reinoPortanto, quando vi um novo livro de Carrère a ser lançado, não titubeei. Daquelas compras que superam contas, adquiri “O Reino” (Alfaguara) esperando um novo impacto ao final da leitura.

E o impacto veio, mas de forma inversa ao que imaginava, com toda a experiência anterior impregnada na memória. Todos seus recursos estão lá, uma prosa deliciosa, o rompimento de fronteiras entre realidade e ficção, resgate histórico, inserção da sua vida pessoal na narrativa como fio condutor, enfim, “O Reino” é um genuíno Carrère.

Mas a história não me conquistou. Carrère pretende discutir seu envolvimento com o catolicismo, o questionamento com a fé e como a religião interferiu na sua vida. O romance em primeira pessoa, conduzido pelo próprio Carrère, é intercalado pela reinvenção da história das origens do cristianismo, por meio de Paulo e Lucas, do surgimento dos Evangelhos e do cristianismo.

Carrère se entrega ao expor momentos da sua vida em que a dúvida o deixou dominar e levou a decisões conflitantes. Sem barreiras, ele coloca no texto afetos mal resolvidos e o envolvimento com a religião. Estamos lendo um escritor desnudado e um inventivo resgate histórico do cristianismo.

Enquanto caminhava pelas páginas, não me sentia envolvido pela trama, pelo tema escolhido por Carrère. Não sei se as ferramentas do escritor se tornaram repetitivas e, neste caso, sem invenção, ou se o próprio tema não me atraiu – ainda tenho uma prova a tirar, “Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos – A Vida de Philip K.” (Aleph), biografia do escritor de ficção científica sobre cuja não tenho muito interesse.

Arrastei-me até o final, somente apoiado na boa prosa de Carrère. “O Reino” acabou sendo uma decepção até agora indecifrável para mim.

Notas de Leitura – Livros que precisam ser lidos

Gosto de escrever umas notas de leitura para dar vazão a livros lidos, relidos ou que mereçam ser selecionados por algum motivo. São textos curtos, sem o compromisso de esmiuçar tanto a experiência. .

Alguns livros merecem um texto mais aprofundado, mas o dia a dia não me permite e não gostaria de deixar passar tanto tempo sem falar desses que surgirão a seguir. Por isso, em vez de esperar, solto estas notas para falar de três livros lidos recentemente.

as-meninas-de-cabul“As Meninas Ocultas de Cabul” (Companhia das Letras), de Jenny Nordberg
No Afeganistão, famílias que não conseguem ter filhos homens sofrem preconceito e podem ser excluídas da sociedade. Para evitar esse tipo de problema, os pais transformam as meninas em meninos, ainda crianças, com seus 6 anos. Dessa forma, são aceitos e conseguem respeito. A questão é que essas crianças acabam por se transformar psicologicamente também. A volta ao gênero, anos depois, por conta da maturidade física, é traumática. Muitas não querem voltar a ser mulheres, pois não terão mais liberdade de agir, brincar, andar nas ruas. Os homens podem tudo, enquanto as mulheres têm inúmeras restrições, que ultrapassam a indumentária. A jornalista norte-americana disseca essa história num livro tocante e revelador. Conhecemos as vidas dessas famílias e dessas crianças, as chamadas bacha posh. É uma reportagem que, mais do que colocar um pouco mais de fé no jornalismo, mostra o quanto o mundo ainda está longe de encontrar um equilíbrio que permita a vida em comum. Livraço.

ditadura-acabada“A Ditadura Acabada” (Intrínseca), de Elio Gaspari
Este é o volume que encerra a série sobre a ditadura escrita pelo jornalista. Após “A Ditadura Envergonhada”, “A Ditadura Escancarada”, “A Ditadura Derrotada” e “A Ditadura Encurralada”, chega o volume que trata do final do regime militar no Brasil, o que capta o período em que Ernesto Geisel deixa o governo, Figueiredo assume e entrega o Brasil ao governo civil eleito indiretamente – de 1978 a 1985. Gaspari, ao lançar o quarto volume, disse que não entregaria o último, com a justificativa de que Figueiredo pedira para esquecerem dele. Voltou atrás e fechou o ciclo de ensaios com o pior livro da série. Serve como combustível para relembrar eventos mais frescos na memória, como a transição da ditadura para a democracia, o Diretas Já, a eleição e a morte de Tancredo Neves, tudo narrado com uma certa pressa, apesar de muitíssimo bem documentado. Pena. Vale, então, fuçar nos Arquivos da Ditadura, site em que Gaspari colocou à disposição áudios, reprodução de documentos e outros itens que testemunham a história recente.

nada-a-temer“Nada a Temer” (Rocco), Julian Barnes
O escritor inglês tenta avisar de que não se trata de uma autobiografia, mas um apanhado de memórias e reflexões que se aproximam do ensaio. Barnes, autor dos belíssimos “Altos Voos e Longas Quedas” e “O Sentido do Fim”, escreve sobre o fim, a perda, a morte. Reflete sobre a morte de seus pais e avós, tenta entender como a religião trata esse tema, enquanto a ciência se mostra impotente diante de certos quadros. Ele quer entender como algumas pessoas reagem com a perda, algo que ele foi sofrer anos depois, com a morte da mulher e tratada nos livros citados acima. Busca memórias da infância e dialoga com seu irmão, filósofo, na tentativa de decifrar nossos temores e a forma como lidamos com situações extremas. Sua obra fica cada vez mais fundamental.