Hector Babenco, 1946-2016

Hector Babenco, morto neste 14 de julho, era um cineasta intimamente ligado aos livros. Toda sua obra tem ligação direta ou indireta com a literatura. Foi diretor capaz de enfrentar tabus (imagine tratar de homossexualidade em 1984, em tela grande, com ator estrangeiro, na cidade de São Paulo, no final da ditadura, querendo se disfarçar … Continue lendo Hector Babenco, 1946-2016

A leitura de “Os Vestígios do Dia” incorpora o mordomo de Anthony Hopkins e “Downton Abbey”

Alguns livros, quando leio depois de ter assistido ao filme em que se inspirou, ficam encharcados da memória visual. Como se fosse impossível criar, imaginar rostos, trejeitos e lugares diferentes daqueles vistos na tela. "Os Vestígios do Dia" (Companhia das Letras), de Kazuo Ishiguro, é um desses exemplares cuja leitura fica indissociável do filme dirigido por … Continue lendo A leitura de “Os Vestígios do Dia” incorpora o mordomo de Anthony Hopkins e “Downton Abbey”

Os filmes das sextas à noite

Sexta-feira era um dia sagrado, um mergulho num universo alternativo, com regras diferentes daquelas que eu e meu irmão vivíamos diariamente. Às sextas, nós íamos dormir na casa dos meus avós. Tínhamos 10, 11, 12, 13 anos. Ou seja, início dos anos 80. Chegávamos de carro ou de ônibus, mochila nas costas. Não sei se despedíamos … Continue lendo Os filmes das sextas à noite

A amargura de Carver envolve Birdman

"Houve uma ocasião em que eu achava que amava minha primeira mulher mais do que a própria vida. Mas agora tenho ódio dela. Tenho mesmo. Como se explica isso? O que foi que aconteceu com aquele amor? O que foi que aconteceu, é o que eu gostaria de saber. Queria que alguém conseguisse me explicar." … Continue lendo A amargura de Carver envolve Birdman

Raymond Carver, o tradutor da América profunda

Mestre do diálogo e da concisão. O escritor americano Raymond Carver normalmente é associado a esses elogios, graças aos seus contos secos, com um olhar para a vida quase sempre sem excessos. A coletânea "68 Contos de Raymond Carver" (Companhia das Letra) reúne seus principais títulos e alguns textos que foram publicados em revistas e outras compilações, alguns … Continue lendo Raymond Carver, o tradutor da América profunda

Gabriel Axel (1918-2014) e sua festa de Babette

"Na maioria das vezes, os moradores de Berlevaag, no transcorrer de uma boa refeição, sentiam-se um pouco pesados. Nessa noite, não foi assim. Os convivas sentiam-se mais leves, e de espírito mais leve, quanto mais comiam e bebiam. Já não precisavam mais lembrar-se de sua promessa. Era, percebiam, quando o homem não só esquecia completamente, … Continue lendo Gabriel Axel (1918-2014) e sua festa de Babette

O beberrão de Joseph Roth

A chegada do videocassete ao Brasil ajudou a criar uma memória cinematográfica que permanece grudada em quem fuçava locadoras na época, meados dos anos 80. Títulos que nem passavam pelo cinema e que iam direto para as prateleiras eram devorados como ao descobrir um canal torrent com as temporadas completas de "The Wire" e "Wonder … Continue lendo O beberrão de Joseph Roth

O dia em que encontrei Raduan Nassar

Em 2005, quando "Lavoura Arcaica" completou 30 anos, a Companhia das Letras lançou uma edição comemorativa do livro. Para marcar a data, Raduan Nassar se encontrou com Luiz Fernando Carvalho, diretor da adaptação cinematográfica, num cinema em São Paulo para falar sobre sua obra máxima. Para completar os festejos, o filme saía pela primeira vez … Continue lendo O dia em que encontrei Raduan Nassar

Uma curta alegoria

Na madrugada, um amigo me chama no hangout. Já fazia tempo que não conversávamos. Falamos da vida, trabalho até que ele me conta uma novidade. Fiquei muito feliz por ele. No final, ao encomendar uma ilustração para ele, recebo a sugestão de assistir ao vídeo "Os Fantásticos Livros Voadores do Senhor Lessmore", que venceu o … Continue lendo Uma curta alegoria

Entre a fantasia e o surrealismo, há espaço para a doçura

Meu primeiro contato com Michel Gondry foi com o clipe de "Like a Rolling Stone", com os Rolling Stones, em 1995. Mas só fui acordar para o diretor francês dez anos depois, quando assisti no cinema a "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança". O impacto com o filme foi tão grande que fui ao … Continue lendo Entre a fantasia e o surrealismo, há espaço para a doçura