Notas de um Leitor — edição 3

Na edição 3, tem entrevista como poeta Ricardo Aleixo, comentários sobre "Canção de Ninar", "O Roubo do Enem" e um livro-reportagem que investiga o excesso de altruísmo. No Alta Fidelidade, Tomás Eloy Martinéz. E Ana Paula Maia diz qual livro está lendo.

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A forte e crua poesia de Rupi Kaur transforma versos em palavras de sobrevivência

Um dos mais recentes fenômenos literários é a poeta Rupi Kaur. Desta vez, o burbuinho vem ancorado em um trabalho vigoroso, uma poesia que retrata a mulher e a violência com palavras que atingem sem dó a quem lê.

À vida falta um Gullar

Por Paulo Sales Durante muito tempo, Ferreira Gullar foi o maior poeta brasileiro vivo. Agora já não há maiores poetas brasileiros vivos. Gullar deixa a vida e com ela o vazio. Na minha modesta opinião, alcançou a estatura de Drummond, Bandeira e João Cabral, que formam a santíssima trindade da poesia brasileira. Mas entre todos … Continue lendo À vida falta um Gullar

Ferreira Gullar, 1930-2016

"turvo turvo a turva mão do sopro contra o muro escuro menos menos menos que escuro menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo escuro mais que escuro: claro como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma e tudo (ou quase) um bicho que o universo fabrica … Continue lendo Ferreira Gullar, 1930-2016

Notas de leitura – sobre a poesia

Não sou um grande leitor de poesia, mas tenho poetas que fazem parte da minha formação - Walt Whitman, Fernando Pessoa, Eliot, Drummond. Li "Uivo", de Ginsberg, "As Flores do Mal", de Baudelaire, e "Canto Geral", de Neruda. Recentemente, descobri Adonis e Wislawa Szymborska. Espero com alguma ansiedade a poesia completa de Sylvia Plath. Cheguei a … Continue lendo Notas de leitura – sobre a poesia

Da biblioteca de casa: a poesia de Wislawa Szymborska

"Não há perguntas mais urgentes do que as perguntas ingênuas" "Existe então um mundo assim sobre o qual exerço um destino independente? Um tempo que enlaço com correntes de signos? Uma existência perene por meu comando? A alegria da escrita. O poder de preservar. A vingança da mão mortal." "Escuto vozes não menos que os … Continue lendo Da biblioteca de casa: a poesia de Wislawa Szymborska

Manoel de Barros: “Meu verso é quase arrancado a fórceps”

Por Paulo Sales A entrevista com Manoel de Barros (1916-2014) abaixo foi feita, se não me engano, em 2005, via fax, e publicada no jornal "Correio da Bahia". Lembro da felicidade que senti quando vi a folha do fax quentinha com a entrevista, que acabara de chegar direto do Pantanal. ***** A sabedoria é um … Continue lendo Manoel de Barros: “Meu verso é quase arrancado a fórceps”

Manoel de Barros, 1916-2014

Por Paulo Sales Há alguns anos, quando morava em São Paulo, acompanhei um primo que queria comprar artigos eletrônicos numa tal Galeria Pajé, no centro da cidade. No meio do caminho, passei por uma livraria e comprei dois livros do poeta Manoel de Barros, cuja obra começava a conhecer naqueles dias através de pesquisas na … Continue lendo Manoel de Barros, 1916-2014

Da biblioteca de casa: “Uivo”

"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violente da qualquer coisa, hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, … Continue lendo Da biblioteca de casa: “Uivo”

Da biblioteca de casa: “Morte e Vida Severina”

"Antes de sair de casa aprendi a ladainha das vilas que vou passar na minha longa descida. Sei que há muitas vilas grandes, cidades que elas são ditas; sei que há simples arruados, sei que há vilas pequeninas, todas formando um rosário cujas contas fossem vilas, todas formando um rosário de que a estrada fosse … Continue lendo Da biblioteca de casa: “Morte e Vida Severina”