As mulheres negras, por Conceição Evaristo

Saudada como grande autora na Flip-2017, Conceição Evaristo ainda navega à margem no mercado editorial brasileiro. Aos 73 anos, seu trabalho ainda não atraiu grandes editoras — o que ampliaria a distribuição e divulgação. Além disso, suas obras individuais, sete ao todo, aparecem em número menor do que contos e poemas publicados em coletâneas, número que supera duas dezenas.

Em Olhos d’Água (Pallas), lançado em 2014, reúne 15 contos de temática única (e necessária): os problemas diários que a negra enfrenta no Brasil. Cada conto funciona quase como uma minibiografia de uma mulher. Como o título do prefácio, retirado de um dos contos mais fortes (“A Gente Combinamos de não Morrer”), explicita: “Minha mãe sempre costurou a vida com fios de ferro”.

Conceição Evaristo é capaz de, com poucas palavras imprimir, um senso de urgência e uma secura na garganta. Ainda que o texto aqui e ali precisasse de uma lapidação, a crueza se impõe e dispensa esse trabalho.

As mulheres estão lá. Jovens, adultas, idosas, com seus dilemas naturais e os enfrentamentos que têm de vivenciar obrigatoriamente, por serem mulheres, negras, pobres. Sua literatura é dramática e, até agora, incapaz de sensibilizar o Brasil — e esse é um problema nosso.

Nesta página do LiterAfro, portal de literatura afro-brasileira hospedado no site das Letras da UFMG, há uma breve biografia da autora, além de um depoimento da própria Conceição Evaristo, com links para críticas e seus livros.

“O movimento foi rápido. O tiro foi certeiro e tão próximo que Natalina pensou estar se matando também. Fugiu. Guardou tudo só para ela. A quem dizer? O que fazer? Só que guardou mais do que o ódio, a vergonha, o pavor, a dor de ter sido violentada. Guardou mais do que a coragem da vingança e da da defesa. Guardou mais do que a satisfação de ter conseguido retomar a própria vida.”

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Este texto foi escrito para uma coluna que mantinha no blog, já desativada. Neste momento, é preciso destacá-lo e dar vida própria a ele.

Um comentário em “As mulheres negras, por Conceição Evaristo

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