Mais de 10 anos depois, o que fica de “Um Dia”?

Quando foi lançado, em 2009, “Um Dia (Intrínseca) logo se tornou fenômeno na Inglaterra. Ganhou elogios de publicações das mais variadas e respeitadas, como “Guardian”, “Times”, “Esquire”. No Brasil, dois anos depois, também galgou a lista dos mais vendidos.

“Um Dia” poderia parecer mais um daqueles momentos de estupor que contaminam leitores e que somem rapidamente. Mas, após a sua leitura, fica impossível não assumir que o livro consegue romper fronteiras e entregar ao leitor uma obra de qualidade acima da média na literatura pop. David Nicholls construiu uma rara história de amor.

Emma e Dexter, recém-formados na faculdade, passam uma noite juntos num quarto, imaginando como seria a vida deles no futuro. Cada um tem um plano imediato, planos que refletem a imaturidade e o idealismo da idade. Esse dia é 15 de julho de 1988.

Nicholls então vai contar a história dos dois nos próximos 20 anos, sempre no mesmo 15 de julho. Ele revisita a vida de Emma e Dexter para mostrar como aquele 1988 foi determinante para o futuro imaginado num quarto após um festa, recheado de sonhos e planos.

O livro avança com os personagens buscando caminhos que os redimam, que os façam encontrar aquele sonho de 1988. Sem nostalgia, sem querer voltar à juventude, mesmo quando se veem já nos 30, perdidos ou confortáveis com uma vida, digamos, normal.

A história de Emma e Dexter vai até 2007, mas 1988 retorna em alguns flashes para esclarecer como foi aquele 15 de julho por completo.

A leitura é instigante, mas chega um momento que se torna compulsiva, já nos anos 2000. Impossível fechar o livro e largar a história dos dois, tão divergentes mas ao mesmo tempo tão próximas que acaba nos fazendo remexer memórias.

“Um Dia” tem uma história de amor como espinha dorsal, mas vai falar mais fundo a respeito de sonhos, de como a vida se transforma e nos conduz de forma imprevisível. O que queríamos ser se torna uma miragem, nem sempre reconhecível décadas depois.

Ele não se propõe a ser um retrato de uma geração, de quem nasceu no início dos 70. Busca nesses personagens retratar o quanto a vida pode ser cruel, simples assim, ao mesmo tempo que nos faz agarrar a oportunidades que nos conduzem a futuros não planejados, mas que se mostram solidários, confortáveis – e nesse ponto a gente já está inebriado por esse novo caminho. Em “Um Dia”, a vida não termina em 2007. Ela termina mesmo em 1988, onde tudo começou.

Virou filme, com Anne Hathaway e Jim Sturgess. Esqueça. Não fica em pé. Claro que há a comparação e o clichê — filme adaptado de livro quase sempre fica pior. Neste caso, a máxima vale.

Nunca voltei ao livro. Nem o tenho mais. Não sei se perdi em mudança, se emprestei a alguém. Ficou aquele sabor agridoce da leitura, a descoberta de uma história carinhosa, envolvente e que fazia todo o sentido naquele momento.

4 comentários em “Mais de 10 anos depois, o que fica de “Um Dia”?

  1. Me lembro do livro nas prateleiras e da notícia que viraria filme. Depois vi a chamada na Tv. Não vi e não li. Não sou o tipo de pessoa que lê o que todos estão a ler e depois que passou a febre, não me interessei. Mas eu sempre acho interessante como histórias chamam mais uns que outtos.

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  2. Guardo a mesma impressão. Lembro bem do livro e fiquei marcado por ele. Outras obras “maiores” passaram por mim e sumiram na memória. Esse ficou.

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