O traço que revisita a memória

“Se você olhar apenas para o reflexo, sem olhar para a parte de onde ele vem, verá uma realidade gratuita, que existe apenas para você.”

Saul Steinberg consegue com as palavras o que consegue fazer com seus desenhos. Dono de um traço ímpar, facilmente reconhecível em dezenas de capas da “The New Yorker”, Steinberg é uma espécie de gênio do cartum.

Delicado, bem humorado, dotado de um olhar aguçado e detalhista, Steinberg se expõe em “Reflexos e Sombras” (IMS), escrito em parceria com Aldo Buzzi. Ele usa de sua biografia para falar do seu trabalho. Vai até a Romênia natal extrair cheiros e cotidianos, passa pela Itália, onde fica mais pessoal, e chega aos Estados Unidos.

A quatro mãos, o livro promove uma convergência de memórias e relatos de viagem, histórias sempre intercaladas pelos desenhos de Steinberg.

Conciso, como seus desenhos, Steinberg então reflete um pouco sobre o trabalho do cartunista. Explora suas pontuais obsessões — o jogo de reflexos e o ato de observar.

O livro é recheado de ilustrações e cartuns, que fazem dele um pequeno catálogo —e a edição do Instituto Moreira Salles faz com o leitor fique repassando as páginas, continuamente.

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