4 livros que precisam ser lidos para enfrentar a ameaça às liberdades

Que este é um momento chave para a humanidade, já ficou claro e estabelecido. Na Europa, nos Estados Unidos, na América do Sul, o avanço da extrema direita e de pessoas sem nenhuma estrutura cerebral para liderar um país coloca a civilização democrática em alerta.

No Brasil, Bolsonaro e sua trupe de inconsequentes querem fundar um partido cujo símbolo é um painel de balas de revólver. Há casos graves de ameaças à democracia e às liberdades individuais e coletivas na Bolívia, Venezuela, EUA, Hungria e por aí vai.

E há livros.

Livros que tentam contextualizar e entender o que se passa nesta primeira metade do século 21. Já li e comentei a respeito da coletânea de ensaios Democracia em Risco? e Como a Democracia Chega ao Fim, de David Runciman.

Como as Democracias Morrem (Zahar), de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, foi a grande sensação do ano passado. Chegou em momento oportuno ao Brasil, às vésperas das eleições presidenciais. O livro tem como guia os Estados Unidos de Trump, mas busca exemplos na história americana e em outros países que enfrentaram momentos críticos, como Chile.

O ensaio é contundente e coloca de forma clara qual o retrato da democracia hoje. Identifica sinais e os compara com o passado, para mostrar que vivemos em alto risco.

Sobre o Autoritarismo Brasileiro (Companhia das Letras), de Lilia Moritz Schwarcz, lançado neste 2019, revisita a história do país para mostrar que a intolerância é algo enraizado na cultura nacional. A antropóloga e historiadora usa oito marcos para discutir: escravidão e racismo, mandonismo, patrimonialismo, corrupção, desigualdade social, violência, raça e gênero e intolerância.

Com isso, ela trabalha para ilustrar que o Brasil não é o país mitológico de boas relações, que ignora raças e que é fundado na paz e harmonia. Relacionando casos do passado com atuais, Lilia Schwarcz conclui que “o desafio brasileiro é enorme” e que, “sem pauta segura e agenda firma, será difícil contornar alguns temas”, como diversidade cidadã, desigualdade e intolerância.

Este com um pouco mais de tempo nas prateleiras — é de 2016 —, Como Curar um Fanático (Companhia das Letras) traz seis ensaios de Amós Oz, um dos meus escritores favoritos. Nesta seleção, ele discute o extremismo em Israel e as soluções colocadas para resolver o conflito com a Palestina.

Defensor do diálogo, Oz reforça que a relação conflituosa entre Israel e Palestina supera questões como religião e tradição, para se acomodar no campo do território. Para isso, somente diálogo e boas doses de comprometimento, com dores para ambos os lados, seriam capazes de mudar a relação naquela região.

Os textos de Oz ajudam a refletir sobre o momento belicoso que vivemos. Infelizmente, o diálogo que ele propõe está a anos-luz de ser possível por aqui, pois faltam espírito crítico, inteligência, capacidade de compreensão e um mínimo de humanidade a quem, hoje, conduz o país.

E, para ilustrar o quanto o diálogo foi capaz de seduzir Oz, Do Que É Feita a Maçã (Companhia das Letras), livro póstumo do autor, traz seis conversas com sua editora, Shira Hadad.

Sem limites, o escritor israelense fala da criação de seus livros, de culpa, afetos, influências e de como tudo isso se reflete na sua obra e na sua relação com o mundo.

São conversas que revelam um autor preocupado com a humanidade e que busca, com seus livros, retratar a realidade sem deixar de despertar um tanto de esperança.

Isso não é pouca coisa.

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