Notas de Leitura — China, PCC e uma fraude no jornalismo

Uma Vida Chinesa

Dois anos depois, cheguei ao final da trilogia “Uma Vida Chinesa” (WMF Martins Fontes), de Li Kunwu e Philippe Ôtié. Li o volume 2 (O tempo do Partido) e o 3 (O tempo do dinheiro) em sequência, o que ajudou a encorpar a história. Na primeira parte, estamos no auge político de Mao Tsé-tung, herdeiro de uma China basicamente rural e sem perspectiva de protagonismo mundial. Os livros seguintes promovem a lenta mudança, para uma China inserida no capitalismo, mas que precisa lidar com seu passado e suas tradições. Li é o personagem que conduz toda a trilogia, que chega aos tempos atuais, de uma China pujante, empreendedora, que vive dia e noite a levantar edifícios. Essa epopeia chinesa encontrou uma tradução vigorosa.

A Guerra

Com o subtítulo “A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”, o livro lançado pela Todavia se pretende definitivo sobre o assunto. Talvez o seja neste momento, pois o volume de informações contido no livro faz com que este seja o mais importante a detalhar os mecanismos da facção criminosa.

Escrito por Camila Nunes Dias e Bruno Paes Manso, “A Guerra” investiga como o PCC se instalou nos presídios ao investigar suas hierarquias e seus processos.

Por meio de documentos e transcrições de áudios, os autores vão amarrando os fios que levam o chamado partido do crime a expandir seus braços a outros Estados e países. Decisão que leva a conflitos violentos, como os assistidos recentemente no Norte e Nordeste.

Baseado em uma pesquisa extensa, o livro chega a ser cansativo em determinados momentos, sem seduzir o leitor a continuar a leitura. Em determinados momentos, alcança o tom acadêmico. O que faz com que a leitura continue é a investigação que ajuda a entender como o PCC se tornou o que é hoje.

A História Verdadeira

Michael Finkel era um nome em ascensão no jornalismo americano, chamado por editores para escrever longas peças jornalísticas, as que dão mais prestígio ao autor. Até que ele aceitou uma encomenda da “New York Times Magazine” para produzir uma reportagem sobre as fazendas de cacau na Costa do Marfim, que eram alvos de denúncias de escravidão infantil.

Ele aceitou, investigou, apurou e escreveu. Mas assumiu como verdadeiras informações que não podia confirmar. A matéria foi publicada, mas tempos depois a editora o confrontou: as informações estavam sendo questionadas. Ele admitiu a fraude e caiu.

O acaso ajudou Finkel a sair do buraco. Um telefonema o informa que um homem chamado Mike Finkel estava sendo acusado de matar a família e fugir dos Estados Unidos. O homônimo usou o nome falso para escapar. A partir daí, o Finkel verdadeiro repassa sua carreira e transforma aquele momento de derrota numa forma de ressureição. Ele começa a trabalhar na história do homem que usou seu nome e, com isso, consegue recuperar a credibilidade. “A História Verdadeira” (Planeta) tem ares de thriller e discute o jornalismo num tom capaz de fazer com o leigo entenda a ética e o dilemas da profissão.

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