A Terra dos Filhos retrata decadência humana

“A Terra dos Filhos” (Veneta), do italiano Gipi, é daquelas obras que precisam existir. HQ poderosa, com traço realista, ela incomoda ao levar o leitor a universos tão distantes quanto possíveis.

Em um futuro pós-apocalíptico, um pai, dois filhos, uma mulher são seres transformados, meio mutantes. Vivem uma espécie de herança da era das redes sociais, com gírias e maneirismos. Seu lugar é uma ilha, mas poderia ser um pântano devastado, uma praia destruída pela tempo.

Sem indicação, Gipi transforma aquele local em todos os lugares. Não importam latitude e longitude, pai e filhos vivem onde estão, na herança que lhes foi deixada.

Ninguém sabe também como chegaram até ali, nem o motivo. Como se fosse a consequência natural da vida, eles estão lá e enfrentam a vida como ela se desenha, com instinto e todos os tipos de violência e vícios.

Temos a decadência humana desenhada brutalmente, com uma pegada semelhante a “Handmaid’s Tale” (livro e série), mas com a visão de “Sujos, Feios e Malvados”, o filme de Ettore Scola.

Como seitas, a leitura não importa mais, não é mais passada para as gerações seguintes. É um segredo que o pai mantém distante dos filhos, com a protegê-los de algo que eles não conseguem alcançar. Resta sobreviver.

Gipi abusa do silêncio, com ilustrações impactantes e chamuscadas. Marca a memória e permanece nos olhos por dias depois da leitura.

 

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