Colaboração, Listas

As 21 melhores leituras do ano

Estas foram as melhores leituras de 2016. Como sempre, nem todos os livros são lançamentos. Desses, oito são de não ficção, dois são HQs e dez são romances ou contos. Após a lista do blog, o jornalista Paulo Sales comenta sobre aquela que foi sua melhor leitura do ano.

A elas, sem ordem de preferência.

melhores-2016

Ficção

Não ficção

HQs

*****

“O Homem que Amava os Cachorros”, por Paulo Sales

Este pequeno inventário literário de 2016 poderia incluir um punhado de bons livros devorados ao longo do ano. Obras como “O Impostor” (Javier Cercas), “A Noite do Meu Bem” (Ruy Castro), “Elis Regina – Nada Será Como Antes” (Julio Maria) e a vigorosa autobiografia do jornalista inglês Christopher Hitchens, “Hitch-22”.

Poderia, também, sugerir uma inusitada lista ao avesso, de obras que me decepcionaram – sobretudo pela qualidade dos seus autores. Neste caso, ocupariam lugar de destaque os romances “Pureza” (inferior aos dois principais romanções de Jonathan Franzen, “Liberdade” e “As Correções”, que eu adoro), “Submundo” (o clássico calhamaço de Don DeLillo que não chega a lugar algum) e “Cinco Esquinas” (um Vargas Llosa inferior, feito com preguiça, que nem parece ter sido escrito pelo autor de “Conversa na Catedral”).

o-homem-que-amava-os-cachorrosTodos esses livros acima, porém, tornam-se fogo fátuo diante do monumento literário que é “O Homem que Amava os Cachorros”, do cubano Leonardo Padura. Um romance com vocação para se tornar clássico nas próximas décadas, já que sua beleza e sua importância não se encerram com a leitura: continuam nos perseguindo, pairando em nossa consciência e em nossa memória afetiva.

Nele, Padura reconstitui as trajetórias do revolucionário russo Leon Trótski e seu algoz, o espanhol Ramon Mercader, contadas por um escritor cubano desiludido. E que trajetórias. Os anos finais de Trótski e a implacável perseguição a mando de Stálin são amplamente conhecidos, inclusive através de uma alentada biografia escrita por Isaac Deutscher. Mas Mercader é uma incógnita que resistiu ao tempo e ao fim da URSS. Sobre ele, há pouco mais que silêncio, brilhantemente preenchido por Padura.

As duas narrativas, contadas em paralelo, estão fadadas a se encontrar. E a habilidade de autor policial do cubano transforma os capítulos que antecedem esse encontro absolutamente sedutores. Intimamente, imploramos para que Mercader não cometa aquele ato insano, não enfie a picareta no crânio de um homem velho e indefeso, apesar de todo aparato de segurança ao seu redor.

Portentoso romance histórico, “O Homem que Amava os Cachorros” deixa evidente a capacidade singular do século 20 de transformar milhões de indivíduos em poeira da grande história. Vidas e mais vidas arrastadas para o esquecimento em nome de ismos que pareciam indestrutíveis e valorosos, mas eram só brutalidade e manipulação. Gerações inteiras foram dizimadas nesse processo. E o início do século 21, marcado pelo ressurgimento de novas formas de nacionalismo, xenofobia e discursos de ódio, mostra que ele não foi sepultado de maneira adequada.

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2 comentários em “As 21 melhores leituras do ano”

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