Brasil, Comentário, Ficção

Rodrigo Maceira e “Até De Repente”, autor e livro que precisam ser lidos

ate-de-repenteHá pouco mais de um ano, li entusiasmado um livro de contos de um autor praticamente desconhecido, que resolveu enviá-lo para o blog. Era um volume curto, de textos também curtos, mas que tinha uma potência contida naquelas ambientações que carregavam identificações. Seu autor era Rodrigo Maceira, e o livro, “Um Céu Diferente Daquele de Lá”.

Pois bem, volto agora a ler outro livro de Maceira, “Até De Repente”* (Oito e Meio), nova seleção de contos, desta vez mais encorpados. E o impacto foi maior.

Maceira tem a rara habilidade de criar histórias que traduzem o urbano comum, tipo com quem os leitores podem se identificar não somente nas situações narradas como também com os sentimentos que envolvem seus personagens.

Sem exagerar na intensidade, seus contos trafegam com leveza por uma certa melancolia, uma saudade de algo inexplicável, o que justifica a empatia do leitor com coisas que ele também vivencia.

Paulo Scott escreve na orelha que o livro pode ser considerado como um romance, em que todos os contos se unem por uma personagem em comum, a cidade de São Paulo, tão bem introduzida em suas histórias e que ajuda a encharcar de memória a cada nova trama. Maceira está no seu segundo livro, mas já pode ser considerado como um grande cartógrafo da cidade.

Outro ponto que faz com que o livro cresça é como ele introduz suas influências culturais, as referências que se tornaram tão comuns em certa literatura da virada do século. Discos, livros, filmes, o que importa para o autor e seu personagem está lá, faz parte da narrativa e serve para complementá-la. “Heroes”, o conto, é o melhor exemplo.

Já o conto final, que dá nome ao livro, é de uma intensidade que dói.

(e este blog confessa que ao final do livro foi direto à Amazon para comprar “Saber Perder”, de David Trueba, e baixou tudo o que encontrou pela frente de Leyland Kirby, enquanto ouvia no Bandcamp a fabulosa “Memories Live Longer Than Dreams”.)

Rodrigo Maceira é daqueles autores que precisam ser lidos com urgência. Vou me repetir, mas esqueça Daniel Galera, JP Cuenca, Daniel Pellizzari, Ronaldo Bressane, Joca Reiners Terron. Esqueça esses machos pretensamente alfas. Leia Rodrigo Maceira. E Elvira Vigna – mas ela é tema de outro post.

* O livro foi enviado ao blog pelo autor

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