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Notas de Leitura – A história reinventada de Cristo em três livros

A leitura de “O Reino”, de Emmanuel Carrère, me fez buscar na estante três livros que ficcionam o nascimento do Cristianismo e a história de Jesus. Reli trechos de dois e um por completo.

Eis o resultado.

livro-o-evangelho-segundo-o-filho-norman-mailer-13760-MLB71179151_4206-O“O Evangelho Segundo o Filho” (Record), de Norman Mailer
Este foi o livro que reli por completo. Não é dos melhores livros de Mailer, mas a história de Cristo narrada pelo olhar do personagem até traz algum frescor. Em capítulos curtos, Mailer conduz a história de forma breve, sem grandes investimentos. Funcionou bem como exercício de imaginação. Ele é um ótimo escritor, com prosa firme e que sabe conduzir o leitor pelo caminho que quiser – basta ler a coletânea de reportagens políticas “O Super-Homem Vai ao Supermercado” ou “A Canção do Carrasco”. Se a perspectiva muda, ao deixar o personagem principal narrar e discordar da “história oficial” dos evangelhos, pouco se acrescenta nessa versão, polêmica à época de seu lançamento (1998). Soa como uma tentativa quase juvenil de recontar uma fábula.

saramago“O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (Companhia das Letras), de José Saramago
Esta é, sim, uma leitura mais elaborada da recriação dos quatro evangelhos fundadores, Mateus, Marcos, Lucas e João. Não é um livro fácil, portanto, sua releitura não me interessou tanto, servindo apenas como lembrança de como reagi a ela da primeira vez – não sou fã nem leitor regular de Saramago, sua prosa não me agrada, com exceção de “Ensaio sobre a Cegueira”. A introspecção do narrador sugere uma história sendo contada pela primeira vez, com fluxos que permitem um simbolismo mais amplo, sem se preocupar com a herança religiosa que permeia o senso comum. Saramago provocou uma espécie de refundação do mito.

a-ultima-tentacao“A Última Tentação” (Grua), de Nikos Kazantzákis
Com as memórias do filme de Martin Scorsese, retirei o livro do autor grego, excomungado pela Igreja Ortodoxa Grega à época do lançamento, em 1954 – o livro entrou para a lista de títulos proibidos pela Igreja Católica Apostólica Romanda, o Index Librorum Prohibitorum. Se o livro de Mailer emerge como reducionista, e por isso desaponta, este vai além ao inserir um tom engajado, de questionamento ideológico. O autor explora os embates que Jesus enfrentou em sua caminhada e o coloca como um homem comum. Quase panfletário, tem boas passagens, mas fica além do prometido. Sem contar que em boa parte do livro ficamos diante de um questionamento sem-fim por parte de Jesus, que leva ao cansaço e não apresenta uma saída narrativa – o autor se prende ao próprio labirinto e leva o leitor junto a essa caminho repetitivo e enfadonho

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