Comentário, França, Não ficção

“Smart”: A internet global que acontece localmente

SmartO subtítulo da edição brasileira tenta entregar o conteúdo, sem refletir necessariamente o que está em “Smart” (Civilização Brasileira): “O que você não sabe sobre a internet”.

O livro do jornalista e sociólogo francês Frédéric Martel também busca mostrar o que não sabemos sobre a internet, mas sua preocupação é tratar de enganos honestos, daquilo que a gente imagina que seja verdade, um senso comum, e que se revela como algo oposto.

O que mais salta aos olhos é a discussão sobre o alcance da internet. Se a base do entendimento é que o canal é universal, que ajudou a quebrar fronteiras, disseminou conhecimento, Martel avança com assertividade: a internet pode ser universal, mas seu alcance, sua influência é local.

Essa é uma das internets. Para tanto, vai ao Egito para provar a tese de que a Primavera Árabe teve repercussão mundial, mas sua rede de comunicação foi restrita a Cairo. Investigou como o Oriente Médio reage à força e à liberdade da rede. Visitou a África e sua tentativa de criar polos de tecnologia, ainda dominada pelo exagero e pela ostentação e corrupção. Passou por países pouco afeitos à democracia, como China e Rússia, para tentar entender como eles e a geração tecnológica estão lidando com as possibilidades da internet.

Pelo cardápio de viagens, daria para pensar que Martel só procurou retratar países que não têm tradição nesse universo, mas o capítulo de abertura, sobre os Estados Unidos, mostra que o autor parte de um ponto que acaba se revelando inspiração para os empreendedores dos outros locais.

Inclusive o Brasil, representado pelo Porto Digital, no Recife, um modelo que reúne numa área empresas de tecnlogia. Os diversos modelos partem sempre de uma base, no caso, o Vale do Silício, e Martel faz um trabalho minucioso para ver não só as semelhanças, mas diferenças que cada país teve que aplicar para se adequar às suas realidades.

Entre elas, costumes, polítcas, culturas e expectativas. Martel não se isenta e revela uma certa preferência pelo modelo brasileiro, mais distante de intervenções fora da esfera do ambiente empreendedor – além, claro, pelo modelo americano, já estabelecido e com fôlego próprio.

O outro ponto é a pesquisa sobre como a internet mudou as relações sociais. Da convocação de ativistas à vigilância de governos, da abertura de infinitas possibilidades empreendedoras à aproximação social, Martel cartografa a internet com propriedade. E o que sai das páginas é uma peça jornalística de primeira, que amplia as impressões sobre a rede, derruba preconceitos e abre os olhos de quem trabalha nesse ambiente.

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