Argentina, Da biblioteca de casa, Entrevistas

Sobre Borges e seus diálogos

sobre-os-sonhos-e-outros-dialogosPor conta dos 30 anos sem Jorge Luis Borges, lembrei de mais alguns livros do autor argentino, especialmente dos livros de entrevistas.

Em 2009, a Hedra lançou três livros com a íntegra das entrevistas que Borges concedeu ao jornalista e escritor Osvaldo Ferrari, em 1984 e 1985: “Sobre a Amizade e Outros Diálogos”, “Sobre a Filosofia e Outros Diálogos” e “Sobre os Sonhos e Outros Diálogos”.

As entrevistas foram feitas para uma rádio e depois publicadas no jornal “Tiempo Argentino”. Borges discorre sobre literatura, o ser argentino, cegueira, sua obra, autores clássicos e outros temas que surgiam de acordo com a conversa.

Os três são imperdíveis. Abaixo, destaco alguns trechos do volume sobre os sonhos.

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Gostaria que me explicasse, sr. Borges (e acho que o mesmo deve acontecer com nossos ouvintes), diante desta sua segunda viagem para o Japão, que inclui Itália e Grécia, o que é que determina essa excelente predisposição sua para as viagens, que, pelo jeito, parece ter aumentado nos últimos anos.
Um motivo seria a cegueira, o fato de sentir os países, embora não os veja. Além disso, se eu fico em Buenos Aires, minha vida é… pobre, tenho que estar continuamente fabulando, ditando. Por outro lado, se eu viajo, recebo novas impressões, e tudo isso, com o tempo, se torna literatura.

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Respostas soltas

“Na verdade, estou perdendo a memória, mas guardo o melhor, que não são minhas experiências pessoais, mas os livros que li.”

“Talvez um dos nossos maiores erros, dos maiores pecados do nosso século, é a importância que damos à história. Isso não acontecia em outras épocas. Por outro lado, a gente parece que hoje vive em função da história.”

“Sou facilmente monótono, não é? Bom, teria que explicar essas razões? Em primeiro lugar, eu não escolhi esses temas (tigres, espelhos, labirintos), eles me escolheram (…) Mas eu acho que isso pode ser aplicado a todos os temas. Acredito que seja um erro procurar um tema; é mais um erro de jornalista do que de escritor. Um escritor deve deixar que os temas o procurem, deve começar recusando-os, e, depois, resignado, pode escrevê-los para passar a outros, não é?

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É especial o capítulo intitulado “Conrad, Melville e o mar”, em que Borges discute “Moby Dick”.

Eu vejo, sr. Borges, que o mar, através de Conrad e Melville está muito perto do senhor, que o mantém na memória com frequência.
Sim, sempre. Bom, existe algo vivo, misterioso… é o tema do primeiro capítulo de “Moby Dick”, o tema do mar como algo que assusta, e que assusta de uma maneira um pouco terrível e um pouco bela também, não é?

O medo que cria a beleza, digamos.
Sim, o medo que cria a beleza, já que a beleza é uma forma de medo ou de inquietude.

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Para fechar, deixo dois links do blog.

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