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Muhammad Ali (1942-2016): Um rei desnudado na biografia de David Remnick

Muhammad Ali (1942-2016) derruba George Foreman em luta no Zaire, em 1974, combate que inspirou Norman Mailer a escrever "A Luta"
Muhammad Ali (1942-2016) derruba George Foreman em luta no Zaire, em 1974, combate que inspirou Norman Mailer a escrever “A Luta”

Escrevi um texto para o blog anterior sobre “O Rei do Mundo”, biografia de Muhammad Ali, por David Remnick. Com a morte do boxeador hoje, fui buscá-lo. O livro é muito mais do que a história de Ali, pois ele se transforma numa biografia de época e do papel que o esportista representou num momendo decisivo da história dos Estados Unidos.

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Não sou afeito a esportes como boxe ou o tal do MMA – menos ainda com este, uma das coisas mais cruéis que já vi, algo como uma briga de selvagens, como se a morte fosse o objetivo.

Cheguei a acompanhar lutas de Mike Tyson, mais pelo fenômeno do que por interesse esportivo.

rei-do-mundoMas a biografia que David Remnick escreveu sobre Muhammad Ali me deu a sensação de que sou um fã de boxe. “O Rei do Mundo” (Companhia das Letras) é excepcional. Reeditado como edição de bolso, na coleção Jornalismo Literário, o livro capta um momento dos Estados Unidos para contar a história daquele que é considerado o maior lutador de todos os tempos, morto hoje aos 74 anos.

Remnick é um jornalista de primeira. Editor da “The New Yorker”, escreveu um livro de perfis também sensacional, “Dentro da Floresta” (Companhia das Letras). Sua prosa é limpa, elegante, o texto se prende a detalhes de um jeito que não o torna enfadonho. Pelo contrário, estimula sua leitura de forma quase compulsiva.

Para contar a vida de Ali, do momento em que surge para o boxe profissional até a conquista do título mundial, Remnick recua até os campeões anteriores – Floyd Patterson e Sonny Liston. Passa com profundidade pela luta contra o racismo nos Estados Unidos preconceituosos. Investiga a disputa que ocorreu na Nação do Islã, que levaria Cassius Clay a mudar de nome, uma disputa que envolveu os principais líderes – Malcolm X entre eles.

Religião, identidade cultural, máfia, bastidores, Remnick traça um painel de época primoroso. Quem pensa que o livro vai contar apenas a história de um boxeador se engana. Mais do que isso, “O Rei do Mundo” biografa um homem controverso, que buscava sua identidade em meio a um período propício ao confronto, e todo um espírito de época.

Nada menos que essencial.

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Sinapse: Para ler mais sobre Ali

a-luta“A Luta” (Companhia das Letras”, de Norman Mailer. Ali provocou outro maravilhoso livro, este, uma reportagem de Mailer sobre sua luta com George Foreman, a chamada Luta do Século (que, na verdade, seria o segundo grande embate), no Zaire, em 1974. O jornalista conta a história dessa luta com foco em Ali. Ele retrata como a presença do lutador modificou a vida no continente africano e transformou a viagem ao Zaire num ato político.

Li “A Luta” na primeira edição da Companhia das Letras, de 1998. Em 2011, o livro foi reeditado em formato bolso e colocado dentro da coleção Jornalismo Literário. É uma obra-prima.

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