Brasil, Estados Unidos, Ficção, Não ficção, Notas de leitura, Policial/Suspense, Suécia

Notas de Leitura

no-do-diabo“Nó do Diabo” (Record), de Mara Leveritt
Quem assistiu à série documental “Making a Murderer” vai identificar semelhanças com este livro da jornalista americana. Na TV, a história tratava do caso de um homem julgado e condenado por um crime que não cometeu. Neste livro, vamos ler sobre o mesmo problema, um erro judicial que condenou três jovens por um crime que eles não cometaram. A investigação da jornalista mostra como Jessie, Damien e Charles foram condenados pelo assassinato brutal de três crianças em 1993, em West Memphis, no Arkansas. No cardápio, satanismo, investigações fora dos padrões éticos, uma análise forense precária, preconceito e costumes culturais de uma área dos EUA propensa a enxergar cenários deturpados. Leveritt conta a história do começo ao fim, do momento logo após a descoberta dos corpos, passando pelas primeiras investigações até chegar ao momento em que a decisão é revertida. É um obra de fôlego – são 422 páginas, com dois posfácios, mais 60 páginas de notas explicativas. Esse caso ganhou grande repercussão quando artistas se juntaram à causa, como Johnny Depp e Eddie Vedder. A história também ganhou um documentário de três partes, lançado em 2012. É um livro para quem gosta de jornalismo e investigação policial. Uma vez que você começa, fica difícil parar até chegar ao seu final.

um-passo-atras“Um Passo Atrás” (Companhia das Letras), de Henning Mankell
Este é um dos meus autores policiais favoritos. O livro é de 1997, mas só saiu agora no Brasil. Faz parte da série de títulos dedicados ao investigador Kurt Wallander. Neste volume, ele, além do crime que tem pela frente, lida com problemas de saúde e afetivos. Aqui, a violência chega mais perto da equipe do policial. No solstício de verão, três jovens são brutalmente assassinados numa reserva natural, fantasiados com trajes do século 18. Ao mesmo tempo, um colega também aparece morto. Os crimes vão suscitar dúvidas, pois a equipe de Wallander demora a encontrar um fio condutor, um ponto de investigação que possa ser desenvolvido. Mankell conduz com maestria da história. Introduz elementos aos poucos, revela as pistas sem pressa, põe os personagens com sutileza na trama, ressaltando seus papéis sem exagero, deixando para o leitor a tarefa de entender as motivações, os medos e suas histórias. O terço final lança um desafio ao leitor: como parar de ler? É um trabalho de mestre.

leonardo-panco-superficies“Superfícies”* (Tamborete), de Leonardo Panço
Combo de literatura, música e fotografia, o livro é um trabalho independente do artista, figura conhecida no universo roqueiro carioca. O livro vem com um CD instrumental, com 21 temas que em sua maioria lembram muito Yo La Tengo – e isso é um elogio. As  fotografias revelam as impressões do artistas em suas viagens, mas o olhar é difuso – estamos diante de paredes, portas, chão, imagens sobrepostas e desfocadas. O texto é o elo entre as duas linguagens. Busca por meio de curtas reflexões, na maior parte das vezes em prosa, questionar o cotidiano de relações sociais e afetivas, como se fosse um diário de viagem. O resultado, se não é obra de um escritor maduro, ganha força quando lida em conjunto com o CD. Dessa união é possível enxergar a melancolia de trechos que soam tolos (“Deitado aqui vejo tudo de outro ângulo. O chão duro não ameniza a dor aguda”), e então vemos o artista exposto – e isto também é um elogio.

* O livro foi enviado pelo autor

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