Alemanha, China, França, HQ, Notas de leitura

Notas de Leitura – 3 HQs

uma_vida_chinesa“Uma Vida Chinesa – 1. O Tempo do Pai” (WMF Martins Fontes), de Li Kunwu e Philippe Ôtié
As HQs vêm se tornando um caminho muito utilizado para registrar memórias. Mais do que as reportagens gráficas de Joe Sacco e de “O Fotógrafo”, há uma certa tendência em permear fatos importantes por meio da história pessoal. Exemplos: “A Arte de Voar” (Guerra Civil Espanhola e a morte do pai), “Crônicas Birmanesas” (A repressão e o trabalho do Médicos Sem Fronteiras), “O Mundo de Aisha” e “Uma Metamorfose Iraniana” (o conflito religioso e superação pessoal) . Este “Uma Vida Chinesa”, o primeiro volume de uma prometida trilogia, segue na mesma linha – aqui, a história recente da China se mistura ao crescimento pessoal do narrador. E é espetacular. Começa com o auge político de Mao Tsé-tung, por meio da história do pai, numa China basicamente rural e sem perspectiva de protagonismo mundial. Traça um retrato impressionante da Revolução Cultural, com a ascensão política dos jovens, a repressão, a fome, a propaganda e a intolerância – assusta como o artista retratou um grupo de garotos, filhos de camponeses e pequenos comerciantes, nascidos e crescidos no interior da China, que encarnou uma revolução intolerante, baseada em interpretações das mais diversas, que minou o trabalho de professores – acusados de subversão – e até de familiares. A HQ alarga esse fio condutor com costumes do interior chinês e a história da família de Li. O primeiro volume leva o personagem até pegar nas armas, com seus 17 anos, antes da chegada de Deng Xiaoping ao poder. Desde já, um dos melhores lançamentos do gênero no Brasil. Daqueles livros imperdíveis e necessários.

ArabeDoFuturo2_capa_G“O Árabe do Futuro – Vol. 2” (Intrínseca), de Riad Sattouf
O segundo volume da trilogia autobiográfica agora capta o menino mais consciente da realidade em que vive na Síria. No primeiro, já comentado no blog, Sattouf mostrava como seu pai conheceu a mãe e como o casal deixou a França para viver no Oriente Médio. Articulado e engajado, o pai não aceita enxergar os problemas que a família enfrenta, como moradia precária e a falta de comida. Se no volume 1 o foco estava na família e no deslocamento, agora a história encontra no menino o condutor principal da história. Ele vai à escola e se vê mais independente. Tem que lidar com as agruras que qualquer criança da idade dele passa, como ser colocado de fora dos grupos. Surge, ainda que de forma sutil, o preconceito, entre judeus e árabes. É uma HQ que continua bem humorada, mas que começa a mostrar mais tensão.

sorge-o-espião“Sorge, o Espião” (Veneta), de Isabel Kreitz
A história real é espetacular. Um espião russo trabalha para derrubar o avanço de Hitler na 2ª Guerra Mundial enquanto vive na Alemanha. A fama o legou boa parte da responsabilidade pela salvação de Stalin diante do avanço do nazista. Richard Sorge é um personagem que ficou à margem até há pouco tempo, mas depois virou filme e está sendo recuperado como um ator fundamental para a resolução do conflito. A HQ conta a história do espião durante o período em que ele viveu na Alemanha. O roteiro é um pouco confuso, apesar da riqueza da história e dos personagens. Os desenhos seguiram o caminho do realismo, sem exageros ou devaneios. Vale muito o posfácio explicativo, pois esclarece muita coisa que o texto da HQ esconde.

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