Brasil, Comentário, HQ

A entrevista de Massari que virou HQ

Adaptações literárias para romances gráficos já são comuns. No blog, comentei sobre “Dois Irmãos” e “Grande Sertão: Veredas”. Publiquei também uma reportagem sobre essa tendência, principalmente focada nos clássicos.

Também é comum biografias serem transpostas para a HQ. “Coltrane”, objeto de desejo deste blog, é a mais recente, num universo que já teve Kafka e Freud.

malcomA Edições Ideal me enviou uma HQ que inova no conteúdo: transpor para o grafismo uma entrevista feita por Fabio Massari com Malcolm McLaren, produtor cultural, artista, empresário e inventor do Sex Pistols. O resultado é “Malcolm”, uma peça fundamental para quem quer entender o que aconteceu na música pop nos últimos 40 anos.

Em 1995, na primeira fase da MTV, Massari foi escalado de última hora para entrevistar McLaren. O produtor estava no Brasil para lançar o disco “Paris”, e como na época a emissora ainda tinha relevância jornalística, cavar um espaço na sua grade era obrigatório para artistas.

Parte da coleção Mondo Massari, a HQ “Malcolm” relembra a entrevista pelos desenhos de Luciano Thomé. Massari foi buscar nos seus arquivos uma fita VHS com a entrevista para relembrar e preparar o roteiro do volume.

Se havia uma pessoa indicada para entrevistar Malcolm naquela época, esse nome era Massari. O Reverendo não só sabe do que fala, mas tem conhecimento enciclopédico sobre rock.

Tudo isso transparece na entrevista reproduzida nas ilustrações da HQ. Massari faz a mesa e entrega perguntas que poucos conseguiriam fazer e sustentar. Então, mais do que uma entrevista que visa promover um disco, estamos diante de uma aula da história da arte pop – moda, comportamento, música, McLaren foi personagem fundamental em todas essas áreas.

Seja porque dividia a loja Sex com Vivianne Westwood quando inventou os Pistols, seja porque não se acomodou com a música pasteurizada que inaugurou os anos 80. A entrevista mostra um artista inquieto, aberto a discutir o passado famoso, mas também a debater mais do que música – política, propaganda, relações comerciais, McLaren é argumentativo e fluente, uma conversa rara de se ler atualmente.

A edição é caprichada. O volume em capa dura tem introdução de Massari e Thomé, posfácio de André Barcinski e um conjunto importante de notas sobre as referências que o ilustrador aplicou no livro.

Altamente recomendável.

Página da HQ "Malcolm"
Página da HQ “Malcolm”
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