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“Grande Sertão: Veredas”, o romance gráfico que travou Guimarães Rosa

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“Grande Sertão: Veredas” (Bibioteca Azul) custa R$ 199,90. É um livro belíssimo, com roteiro adaptado por Eloar Guazzelli e ilustrado por Rodrigo Rosa. Vem numa luva de acetato vermelho, lombada solta, que permite a abertura das páginas com segurança. O trabalho gráfico é deslumbrante. A edição, ao que parece, tem tiragem única, de 7.000 exemplares.

Portanto, quando você se depara com essa obra a R$ 89, só resta comprar. E foi o que aconteceu. O exemplar número 4.750 descansa nas prateleiras da biblioteca particular, depois de percorrido devidamente pelo blog.

E nada disso é um problema, claro. A não ser que o resultado ficou aquém do pacote. Explico.

O trabalho gráfico é sensacional. Rosa trabalhou muito bem com as cores, cenários e ambientação. Além disso, a caracterização dos personagens ganhou verossimilhança.

O problema é o roteiro. Não que o trabalho de Guazzeli seja ruim. A questão que a HQ impõe é outra: o texto de Guimarães Rosa funciona tão bem na forma corrida que a transposição para um roteiro gráfico perdeu sua fluidez. A leitura fica travada, não corre, perde o ritmo que o escritor imprimiu nas páginas do livro.

A sensação é que cada ilustração é um livro diferente. E o resultado é que somente passagens isoladas, marcadas pelos “aforismos” de Rosa, conseguem fazer a transição das plataformas. Como este exemplo:

grande-sertao

Ou este recorte:

grande-sertao-ilustracao

Esse é daquelas obras de que gostar é quase obrigação. Afinal, como não se emocionar com a história que Guimarães Rosa inventou, com sua linguagem própria, e que foi transposta para um grafismo de primeira qualidade?

O roteiro aproveita a linguagem original, mas ela se prejudica nessa mudança de estrutura. Cada passagem de quadro exige um recomeço, e a leitura fica presa. É exatamente o contrário do que aconteceu com a adaptação de “Dois Irmãos” – leia aqui.

Foi com pesar que terminei a HQ e pensei: não gostei. Foi uma leitura chata, cansativa, em que apenas o trabalho gráfico me emocionou. Confesso que queria gostar muito da adaptação. Mas seria desonesto admitir que apreciei o trabalho completo do romance gráfico.

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