Comentário, Ficção, Inglaterra

Uma decepção chamada “Funny Girl”. Ou como Nick Hornby conseguiu entregar um livro chato

alta-fidelidadeSou leitor de Nick Hornby desde 1998, quando foi publicado em português, pela primeira vez, “Alta Fidelidade” (na época, Rocco, hoje, Companhia das Letras). Li, desde então, todos os seus livros: “Um Grande Garoto”, “Febre de Bola”, “Como Ser Legal”, “Slam”, “Uma Longa Queda” e “Juliet, Nua e Crua”.

Sua prosa límpida, bem construída e envolvente garante boas horas de diversão. Ele sabe unir a cultura pop com boa prosa. Mesmo nos momentos em que não brilhou, caso de “Slam”, por exemplo, estava claro que havia ali algo superior em relação a uma certa literatura de acento pop.

Hornby achou um caminho que conversava com o jovem adulto de “Alta Fidelidade”, aquele que se aproximava dos 30 e via que a vida estava ali para valer. Afetos não correspondidos, uma vontade de se prender a um passado saudosista, uma queda pelo estilo Peter Pan, tudo isso fazia parte do questionamento que o escritor inglês abria para seus leitores. Era um choque de realidade brutal, envolto em citações de música, cinema e literatura.

A obra de Hornby evoluiu ao longo dos anos como seu leitor. Os temas amadureceram, assim como os questionamentos.

funnygirlE foi extremamente decepcionante quando topei com “Funny Girl” (Companhia das Letras), seu último romance, e me vi empacado nas 50 primeiras páginas. Chato. Muito chato, sem alma, sem carisma, sem envolvimento.

O livro é seu pior momento. Exatamente aquele em que o autor decide fugir do seu ambiente natural, a contemporaneidade, e ir aos anos 60. Estamos em Londres e sua inspiração agora é Lucille Ball. Barbara, a garota de Blackpool, foge para a capital inglesa para se tornar a resposta britânica ao sucesso da comediante norte-americana.

Essa volta ao passado de Hornby gerou um romance imaginativo, mas que não mostra qual seu objetivo, qual caminho quer seguir. Ele já criou personagens femininas mais potentes, como a do filme “Livre”, do qual foi roteirista. Ou de “Como Ser Legal” e sua Katie Carr.

Mas sua Barbara é inverossímel, sua prosa ficou frouxa e o livro, ao final, revela-se um exemplar do que não deve ser feito. É chato. Somente isso.

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