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Notas de Leitura

a_amiga_genial_capa“A Amiga Genial” (Biblioteca Azul), de Elena Ferrante
Só ouvi coisas boas desse livro. Sua autora foi elogiada em 100% dos textos que li, de jornais, revistas, sites e blogs. A primeira parte de uma tetralogia lançada no Brasil abriu o caminho para uma autora misteriosa, que quase não aparece e de quem pouco se sabe. Há dúvidas se a história narrada na série napolitana é ficção ou inspirada em sua vida, nem se sabe ao certo seu nome. Os elogios derramados me fizeram criar uma expectativa enorme. Neste primeiro volume, Elena Greco vai buscar em sua memória as lembranças que viveu ao lado de Rafaella Cerullo, que de repente sumiu sem deixar rastro. Estamos em Nápoles nos anos 1950, com tudo o que isso significa numa Itália pós-guerra, visto pelo olhar feminino. E temo confessar, mas qual jeito: não consegui chegar à página 100. Aliás, alcançar a página 50 já foi um feito e tanto. Decepção talvez marcada pela expectativa enorme gerada pelos comentários que li, fato é que a prova não me convenceu.

Richard-Flanagan“O Livro de Peixes de Gould” e “O Caminho Estreito para os Confins do Norte” (Biblioteca Azul), de Richard Flanagan
Desta vez, as expectativas se dividiam entre avaliações boas e ruins. Os livros do escritor australiano não foram unânimes, mas de certa forma geravam entusiasmo em quem leu. Demorei para entrar em seus livros. E, assim como em Elena Ferrante, só encontrei decepção e dois livros incrivelmente chatos. Nem vale a pena se estender muito sobre as tramas de cada um deles. Só posso agradecer ao Kobo, que me ajudou a economizar alguns trocados ao evitar a compra dos livros impressos.

wasabi“Wasabi” (IIluminuras), de Alan Pauls
Este pequeno romance do escritor argentino estava guardado na estante desde 1996, ano em que foi lançado no Brasil. É seu terceiro romance, já esgotado em português. Quase 20 anos parado, aguardando sua vez. Passou por várias mudanças, respirou ares diferentes nessas duas décadas. Seria minha primeira leitura de Pauls. Para completar estas Notas na mesma vibração, só posso dizer que a espera não foi recompensadora. O título do romance vem do vício do protagonista, um homem que come uma pomada feita com a pasta verde japonesa como forma de experimentar novas sensações. Esse narrador está na França para uma residência de escritores e encontra um quisto nas costas. Como consequência, ele desfalece diariamente por sete minutos. Em meio a esse imbróglio, tem que encontrar um tradutor para seu livro, lidar com sua mulher e encontrar um escritor de vanguarda. Pauls admitiu em entrevistas que experimentou neste pequeno romance. E sua experimentação se revelou para este leitor algo intragável. Uma espera de efeito reduzido pois não havia expectativa.

*****

Essas quatro leituras vieram após a impactante experiência de ler “Ressureição”, de Tolstói. Talvez minha decepção com esses livros se explique por seu antecessor, um romance fenomenal do escritor russo. Para piorar, ainda li em seguida o conto “O Beijo”, de Tchekov, uma pequena maravilha da narrativa curta. Por mais que Elena Ferrante, Richard Flanagan e Alan Pauls tenham recebido boas avaliações, para mim, as duas leituras anteriores impediram que alcançassem o que prometiam.

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