Argentina, Brasil, Ensaio, Ficção, Notas de leitura

Notas de Leitura

9788540509177.MAIN“Micróbios” (Cosac Naify), de Diego Vecchio
O livro foi muito bem comentado quando saiu no Brasil. O escritor argentino teve uma boa ideia ao formatar o livro: são nove contos que tratam de enfermidades diferentes, tendo como cenário uma região do planeta. A solução criou um conjunto vigoroso, quando trata dos limites humanos, mas causa indiferença em relação ao ambiente – somente em casos específicos o local tem algum peso, mas na maioria o sentido de universalidade não vinga. O livro começa muito bem, com contos criativos, como “A Dama das Tosses” – uma mulher descobre que somente histórias sobre determinada doença podem curar crianças acometidas do mal. Chega no auge em “As Damas das Focas”, o quarto do livro, sobre irmãs siamesas. Mas a partir daí o livro perde potência e cai na fórmula. As surpresas que o início anunciou se tornam identificáveis, a prosa não avança, ainda que não perca qualidade. Vale pelos primeiros quatro contos.

convite-uma-cidade-se-inventa“Uma Cidade se Inventa” (Scriptum), de Fabrício Marques*
O blog tratou do livro quando entrevistou seu autor, numa conversa que identificou a motivação do projeto: traduzir uma cidade, no caso, Belo Horizonte, pela vida dos escritores que viveram e moraram nela. Lançado com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, o livro percorre quase cem anos de história. Recua à decada de 1920, quando despontavam nomes como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, e avança até tempos atuais, em que escritores optam por morar na cidade, como Luis Giffoni e Maria Esther Maciel. O livro se sustenta numa pesquisa rigorosa. Ao final, o leitor tem uma tabela que lista todos os escritores que moraram por algum tempo na cidade, com indicação do período. Escrito naquela zona onde o ensaio encontra a reportagem, “Uma Cidade se Inventa” reconta a história de BH e acaba se tornando um documento original. Acompanha o texto foto de João Marcos Rosa, todas em preto e branco e atuais, o que provoca um choque interessante, entre o passado recontado e o presente por vezes melancólico.

um-céu-diferente-300x450“Um Céu Diferente Daquele de Lá” (Oito e Meio), de Rodrigo Maceira*
A orelha é assinada por João Anzanello Carrascoza, um convite que torna irresistível a visita – em entrevista ao blog, o autor de “Caderno de um Ausente” disse: “Sempre me senti desafiado a procurar as palavras que, combinadas, aglutinadas ou justapostas pudessem chegar, o mais próximo, do que só pode ser expresso pelos não-ditos”. Maceira entrega ao leitor uma coleção de 16 pequenos contos – o livro tem 108 páginas – em que a frase de seu colega poderia resumir o livro. Seus textos carregam uma prosa que faz com que seu interlocutor se identifique e consiga visualizar os fatos, cotidianos e comuns, mas carregados de uma força poética que deixa espaços para o não-dito, para a imaginação redesenhar e dar continuidade. Se fosse possível identificar uma linha mestra, seria a saudade o tema dos contos, a conduzir personagens e memórias. Lançado por uma editora pequena, vale ser descoberto.

* Os livros foram enviados ao blog pelos autores

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