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Notas de leitura

Meus-documentos_capa“Meus Documentos” (Cosac Naify), de Alejandro Zambra
Quando entrevistei Alejandro Zambra, para falar de “Formas para Voltar para Casa” (Cosac), ele falou que livros devem ser escritos para encontrar manchas onde se pensava que não havia nada. Falávamos das memórias que seus livros buscavam, de como a ditadura chilena influenciou a vida de muitos após 1973. Três romances depois, Zambra experimentou o gênero conto em “Meus Documentos”, coletânea de 11 textos – o título faz referência à pasta presente nos computadores equipados com Windows. Ele vai visitar a infância, passar por religião, sexo, a herança chilena. Dividido em três partes, é possível dizer que “Meus Documentos” refaz o Chile na primeira, uma espécie de reconstrução do passado por meio de soluções comuns, como amizade e esporte. Sim, Pinochet é o fantasma a rondar as histórias e vidas dos personagens, mas Zambra parece escrever para olhar para frente. A segunda parte é autobiográfica. Lemos sobre sua formação e a vida atual. Conhecemos o Zambra leitor e quais foram suas influências. O fechamento busca um certo distanciamento. Zambra se entrega à ficção e busca afirmar sua identidade como ficcionista. “Meus Documentos” reafirma o autor chileno como uma das vozes mais vigorosas da literatura contemporânea.

500_9788580443752_os possessos“Os Possessos” (Leya), de Elif Batuman
O livro tem como subtítulo “Aventuras com os livros russos e seus leitores”. Faz parte daquilo que muitos chamam de novo ensaísmo, uma mistura de ensaio, crônica, crítica e outros gêneros. A acadêmica norte-americana escreve sobre sua paixão, a literatura russa. Para isso, ela lança mão do seu envolvimento com as obras e estudos. Então, vamos ler sobre Tolstói, Gogól e outros autores enquanto ela descreve suas viagens para seminários, estudos de língua na Rússia e no Uzbequistão e seus encontros com especialistas sobre autores russos. O que poderia passar a sensação de certo hermetismo se transforma numa leitura envolvente, que vai interessar mais a quem gosta de autores russos, mas que também conquista aqueles que querem tão somente ler bons textos. Batuman escreve muito bem, tem bom humor e sabe rir de si mesma. Num gênero como o ensaio, essas características fazem toda a diferença.

DADO VILLA LOBOS-CAPA-MAUAD-FINAL-OK.indd“Memórias de um Legionário” (Mauad), de Dado Villa-Lobos
Na atual onda de lançamento de livros que tratam do Legião Urbana, este é o que menos novidade traz. Se um revela os diários de Renato Russo e outro disseca o disco de maior sucesso da banda, aqui o leitor tem uma revisitação da história do grupo por meio de um de seus membros. Nada de revelador, apenas alguns pequenos fatos que outros autores já tinham escrito e que foram rebatidos pelo guitarrista. Então, o livro reproduz o depoimento de Dado aos historiadores Felipe Demier e Rômulo Mattos, sem muito tratamento de texto, o que deixa o livro arrastado. Dado ainda cita muito outras obras sobre a banda, parece um monólogo que já ouvimos. Vale como memória de alguém que estava dentro, que lança visões muito particulares de como funcionavam o grupo e Renato Russo, principalmente – há pouco espaço para o baterista Marcelo Bonfá. Quer ler sobre o Legião? Prefira os que estão nos posts do blog.

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