Biografias/Perfis, Brasil, Estados Unidos, Ficção, México, Notas de leitura

Notas de leitura

big-loira“Big Loira e Outras Histórias de Nova York” (Companhia das Letras), de Dorothy Parker
Um pequeno achado num sebo de Belo Horizonte, o livro de Dorothy Parker foi lançado em 1987 e sumiu do catálogo – e até onde sei, é o único título da norte-americana publicado no Brasil. Pena. Sua prosa lhe confere um lugar entre os grandes de sua geração – Ruy Castro, organizador e tradutor dessa coletânea, a coloca acima de Virginia Woolf e Gertrude Stein. Os contos reunidos, escritos nos anos 20 e 30, mostram uma escritora com olhar não só observador, mas principalmente ácido sob a sociedade nova-iorquina da época. As primeiras histórias, como “A Valsa”, “Os Sexos” e “Primo Larry”, poderiam muito bem funcionar como crônicas. Poderíamos pensar que Joel Silveira ficou com inveja desses textos e decidiu escrever “1943: Eram Assim os Grã-Finos de São Paulo”, reportagem clássica que criou as personagens Fifi, Lili e Lelé para ironizar o comportamento da alta sociedade. Parker usa da acidez como veneno em doses homeopáticas. E acrescenta bom humor, em textos que desnudam o que seria aquela Nova York. Se achar nos sebos, não deixe passar.

110_2043-pitol1“Vida Conjugal” (Companhia das Letras), de Sergio Pitol
O autor mexicano é considerado um dos principais nomes da literatura latino-americana. E também desprezado no Brasil – além deste título, apenas mais um foi traduzido, “O Desfile do Amor” (Mandarim), mas fora de catálogo. Assim como Dorothy Parker, Pitol expõe os desejos de ascensão da classe média mexicana, numa trama inusitada: Jacqueline tenta a todo custo matar seu marido, Nicolás Lobato, decepcionada com a vida que leva. Mas sempre que se aproxima o ato final os dois acabam na cama. É hilariante e triste ver o esforço de Jacqueline em tentar crescer num ambiente até certo ponto hostil, participando de encontros literários – ela que trocou seu nome, Maria Magdalena, por vergonha. Pitol tem um humor menos escrachado do que Parker e constrói uma trama densa e breve para descortinar o autoengano de uma geração perdida. A mudança é o grande alvo, mas ela parece existir para que todos fiquem onde estão. Um belíssimo romance de Pitol.

42864565“Música, Ídolos e Poder – Do Vinil ao Download” (Nova Fronteira), de André Midani
O livro foi recolhido das livrarias por ordem judicial – a família de um ex-empresário da música se sentiu ofendida -, mas Midani, o principal executivo da indústria fonográfica brasileira nos anos 70-90, colocou para download gratuito em seu site. Serviu também como inspiração para o documentário exibido pelo GNT em cinco partes, o que motivou o relançamento da obra. O começo tem a função de biografar o personagem, da sua chegada ao Brasil aos primeiros trabalhos na indústria. É da metade para a frente, quando ele começa realmente a gerenciar a música e seus artistas, é que “Do Vinil ao Download” ganha força. Midani foi o principal nome da indústria musical brasileira nas décadas de 70 e 80, mas o tom informal e relatorial do livro faz com que a imensa riqueza do seu acervo de memórias se perca em um texto simplório e sem profundidade. O blog entrou em contato com a editora para saber o que mudou na nova edição impressa. Infelizmente, após inúmeras tentativas, a Nova Fronteira não respondeu. Prometeu respostas, mas ficou só nisso mesmo, nas promessas. Então, o blog só pode sugerir baixar o livro do site de Midani.

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