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Da biblioteca de casa: “O Afeto que se Encerra”

“O artista ficou na terra de ninguém. É o nosso habitat natural. Abaixo a retórica que levou uma geração, uma cultura, uma falsa consciência, ao extermínio. Registramos fragmentos (‘esses fragmentos salvei das minhas ruínas’, termina ‘The Waste Land’, resumindo o que é possível e crível em literatura). Nenhuma reverência a instituições, credos, à grandiloquência que nos trouxe o suicídio coletivo da Grande Guerra. A própria aparência do mundo social é imaginária, nos disseram e mostraram Kafka e Picasso. Quando Joyce escreve que pretende criar na forja da alma uma nova consciência de raça, ou Yeats que o ‘centro’ não se sustenta (o ‘centro’ é o consenso da civilização burguesa pré-1914, e não, como desonestamente usam o poema os reacionários, o centro político), é disso que está falando, oratio obliqua, naturalmente, porque qualquer explicitação é suspeita.”

(Paulo Francis, em “O Afeto que se Encerra”)

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c0aea5e769f43421ef7b8386bee3b2120da44803Dos achados em sebos, estas memórias de Paulo Francis editadas pela Civilização Brasileira em 1980, trazem como epígrafe uma frase pescada no romance “O Americano Tranquilo”, de Graham Greene: “A inocência é uma forma de insanidade”.

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