Crônicas, Estados Unidos, Ficção, França, Notas de leitura, Relatos de viagem

Notas de leitura

Imagens-Livros-Normal-LV154986_N“Áden, Arábia” (Estação Liberdade), de Paul Nizan
Descontente com os rumos da Europa, ainda colhendo os resultados da 1ª Guerra Mundial e já experimentando os dissabores da 2ª, o filósofo francês optou pela fuga. Viajou para Áden, na época um protetorado britânico na confluência entre os mares Vermelho e Arábico – hoje, faz parte do Iêmen. Foi criticado por Jean-Paul Sartre, autor de um alentado prefácio à edição brasileira. No livro, muito mais do que um relato de viagem, lemos os debates de um pensador diante da incerteza de um futuro mais justo. Era um jovem de 20 e poucos anos tentando entender os efeitos da colonização. O texto então se mostra um relato apaixonado e idealista de um jovem, parceiro de Sartre e Merleau-Ponty, morto no conflito e que buscava um engajamento maior do Partido Comunista – a frase de abertura já dá o tom: “Eu tinha vinte anos. Não me me venham dizer que é a mais bela idade da vida”. Nizan não viu este livro ser publicado. “Áden, Arábia” teve sua primeira edição em 1960.

41Wi0DponjL“A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos Breves” (Biblioteca Azul), de Ray Bradbury
É uma coleção de contos inferior a “As Crônicas Marcianas”, mas ainda assim é uma bela seleção de textos curtos do escritor americano. Ao contrário do que se comumente pensa, a maior parte da obra do autor desvia do olhar da ficção científica – Bradbury só considerava “Fahrenheit 451” como um verdadeiro exemplar do gênero. Como Carlos Vogt explica no prefácio, “há em sua literatura uma marca indelével de melancólica saudade que subsume a linearidade do tempo e reúne o passado e o futuro em um presente constante e poético de ausências”. E é disso que trata sua obra, essencialmente essas duas coletâneas de contos. Ao contrário das “Crônicas”, que poderiam até ser lidas como um romance, pois há entre os textos pontos de ligação que se traduzem em unidade, neste os contos são independentes. Vigora a sensação de perda e de reencontro, seja em qualquer lugar – em Marte ou num vilarejo dos Estados Unidos. A destacar o trabalho da Biblioteca Azul, que vem cuidando da obra de Bradbury com devida atenção. Imperdível.

ArquivoExibirDe Veludo Cotelê e Jeans” (Companhia das Letras), de David Sedaris
O terceiro livro que leio do cronista e ensaísta, o último disponível em português, o segundo lançado no Brasil – este é de 2004. Aqui estão todas as características que fazem de Sedaris uma leitura prazerosa: sua leitura do cotidiano, a transformação de fatos até então constrangedores em crônicas deliciosas, a inquietude diante do preconceito, seus medos de coisas insignificantes, seu senso de observação raro. A família e seu companheiro, Hugh, são personagens constantes e que ajudam a revelar as profundezas de Sedaris. Leia qualquer um dos livros dele.

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