Biografias/Perfis, Da biblioteca de casa, Música

Billie Holiday, 100 anos

24398_max“Se você a ouvisse em qualquer outro lugar, ficaria tocado e mais nada. Mas no Apollo a canção assumia um profundo simbolismo. Não só você enxergava, em todo o seu horror gráfico, aquele ‘fruto’, como via em Billie Holiday a esposa, a irmã ou a mãe da vítima, debaixo da árvore, quase prostrada de tristeza e fúria… Talvez, se fosse essa a sua índole – como era certamente a das plateias do Apollo – você visse e sentisse a agonia de outra vítima de linchamento, essa suspensa uma cruz de madeira no Calvário. E quando ela arrancava as últimas palavras de sua boca, não havia uma única alma na plateia, negra ou branca, que não se sentisse meio estrangulada. Seguia-se um momento de silêncio pesado, opressivo, e então uma espécie de som sussurrante que eu nunca tinha ouvido antes. Era o som de quase 2 mil pessoas suspirando.”

(Jack Schiffman, dono do Apollo Theater, sobre a interpretação de “Strange Fruit”)

“Enfrentei uma luta corpo a corpo com o vício durante quinze anos, largando e voltando. Tive fases ligada e desligada da droga. Como disse antes, quando estava ligada ninguém me chateava. Me meti em encrenca duas vezes quando tentei largar o vício. Gastei uma pequena fortuna em drogas. Consegui me livrar e me manter limpa; tive minhas recaídas e precisei lutar tudo de novo para ficar longe das drogas. Mas não sou louca. Sabia, quando comecei a  trabalhar neste livro, que não podia esperar contar a verdade, a não ser que estivesse lúcida. Não tentei ocultar nada.”

(Trecho da autobiografia “Lady Sings the Blues”)

“Quando Billie tinha 12 anos, ela e a mãe se mudaram para Nova York. Montaram um lar na I45 Street, perto da Sétima Avenida, no Harlem. Corria o ano de 1927. Eram tempos difíceis. A mãe tentou encontrar um emprego como doméstica, mas não teve sorte. Billie teve que voltar a esfregar chão. Esse trabalho havia se tornado insuportável para que, que, agachada, só queria poder se levantar, jogar a cabeça para trás, fechar os olhos e cantar.”

(Studs Terkel, no perfil sobre Billie Holiday, em “Gigantes do Jazz”)

*****

c0798Para ler

  • “Billie Holiday e a Biografia de uma Canção: Strange Fruit” (Cosac Naify), de David Margolick
  • “Gigantes do Jazz” (A Bolha), de Studs Terkel
  • “Lady Sings the Blues” (Zahar), de Billie Holiday e William Dufty
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s