Comentário

O mistério chamado Rádio Londres ou um elefante na sala

Há uma coisa que muito me intriga: por que blogs e grande imprensa (impressa e digital) ignoram os problemas dos livros publicados pela editora Rádio Londres?

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O livro que tem centenas de erros e que provocou o silêncio

Li dois livros da casa, “Stoner” e “Viva a Música!”. Este segundo tem alguns problemas de revisão, de todos os graus, mas que são suportáveis para o leitor. Mas o primeiro, como escrevi neste post, é caso de recall, de recolher os livros da primeira edição e devolver o dinheiro de quem comprou.

Porque os livros vieram com defeitos. Muitos, centenas. Na primeira leitura, contei 65 erros em 74 páginas – média de erro por página de 0,87. Parei de contar para não me irritar, mas os erros continuaram.

Os leitores também perceberam os problemas – nos comentários, fica clara a irritação que esses erros provocam. Aos poucos, chegaram algumas reações de quem também enfrentou o mesmo problema – poucas no sentido de que o blog tem curto alcance. Bom, sozinho, sozinho eu não estava.

Por exemplo, no Instagram, a leitora Ana Schilling escreveu o seguinte sobre o livro, no perfil de um blog que irá resenhar o livro dado pela editora:

“A capa é caprichada, mas a edição é porca! A Rádio Londres parece ter simplesmente ‘esquecido’ de contratar um revisor. Só li ‘Stoner’, mas parece que todos os livros da editora saíram assim, medonhos, cheios de erros de português, pontuação e demais vacilos de revisão. Acreditem: é tanto erro que torna a leitura irritante.”

Ela já havia se manifestado aqui no blog. Disse que só conseguiu ler o livro na edição em inglês e que uma amiga lia “Minotauro” e enfrentava o mesmo problema. Livro que se soma a “Viva a Música!”.

Leitores devidamente irritados, ao pesquisar na internet, só encontram o post do Capítulo Dois sobre o caso.

Mas o silêncio de quem lida com leitura, profissional ou amador, me intriga, assim como o silêncio da editora, que não se pronuncia – a única manifestação da editora que li e conheço está no post aqui do blog: pedem desculpas e dizem que irão soltar uma segunda edição revista. E só.

Agora, começam a pipocar discussões públicas em livrarias e ambientes virtuais sobre “Stoner”. Blogs dizem que já têm parceria com a editora e podem escolher os livros que querem ler. A imprensa especializada se calou.

Não conheço o editor da Rádio Londres. Mas se a editora é saudada de forma unânime como um boa novidade no Brasil, por trazer títulos de qualidade nunca traduzidos, por que não fazer uma análise mais profunda e mostrar que, apesar da boa vontade, há tantos erros que comprometem a leitura?

Já li críticos sérios escreverem sobre um livro qualquer e afirmarem que a experiência de leitura foi comprometida porque havia erros de revisão e de tradução. Bom, escrevo num blog que não tem o alcance de grandes veículos para provocar reações mais contundentes, mas, pelo amor de deus, que silêncio é esse que a Rádio Londres conseguiu obter?

Por que ninguém fala nada? Por que não há críticas mais aprofundadas? Por que tanto oba-oba e pouca perspectiva?

O catálogo da editora é realmente de qualidade. Mas há um elefante na sala. E ninguém quer tratar do bicho estacionado.

*****

Adendo ao post

Um leitor do blog linkou (obrigado, Daniel) nos comentários um post do Blog do IMS, escrito por Antônio Xerxenesky, autor de “F.” (Rocco). Cito um trecho:

“A tradução apresentada na edição brasileira é sólida; a revisão, no entanto, é dolorosa – anotei mais de dez erros de digitação e vírgulas. Felizmente, fui informado, uma segunda edição já está saindo da gráfica com esses equívocos consertados.”

Caro Xerxenesky, me desculpe, mas dez erros aparecem apenas nas primeiras 30 páginas. Para ficar no início, a página 35 tem 7 erros, que é quase a totalidade do que você anotou no livro inteiro. A página 55 tem 5.

Bom, considerando que a expressão “mais do que 10” abre um horizonte inteiro – podem ser 11 ou 500 erros -, não sei exatamente o que pensar.

O elefante continua parado. Ele só cresce de tamanho.

*****

Antônio Xerxenesky mandou um email ao blog para comentar o trecho acima e a referência que fiz ao post que ele escreveu no Blog do IMS. Explicou o motivo do “mais do que 10” – um problema que o impedia de continuar anotando – e que percebera, sim, que “havia um número muito maior”.  E assim definiu:

“Acho que o trabalho vergonhoso de revisão deles em ‘Stoner’ está devidamente contemplado na minha definição de ‘revisão dolorosa’ que usei no post.”

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8 comentários em “O mistério chamado Rádio Londres ou um elefante na sala”

      1. Deve ter lido por amostragem, em leitura dinâmica, diagonal: uns trechos aqui, outros acolá. Porque ao menos dez erros, sem brincadeira, acho que há logo nas primeiras dez páginas.

        Curtido por 1 pessoa

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