Biografias/Perfis, Estados Unidos, Ficção, Holanda, Itália, Não ficção

Notas de leitura

????????????????“A Beleza e o Inferno” (Bertrand Brasil), de Roberto Saviano
O escritor italiano, depois de “Gomorra”, foi jurado de morte pelos mafiosos napolitanos, que leram no livro seus negócios e relações escancarados pelo trabalho jornalístico de Saviano. Entre este já clássico do jornalismo moderno e outro trabalho de fôlego, “Zero Zero Zero”, sobre o tráfico de cocaína, Saviano lançou livros que percorrem seu trabalho como cronista e repórter. Este é uma coleção de artigos escritos para a imprensa italiana. Há perfis, obituários e críticas literárias. Algumas histórias se destacam, como “Ossos de Cristal”, perfil de Michael, garoto que cresceu com uma doença que enfraquece os ossos até se tornar um pianista de sucesso. O perfil de Messi, “Apostar Tudo”, em que Saviano escreve sobre a formação do jogador, as injeções de hormônio de crescimento e os anos pré-sucesso no Barcelona, também é um dos pontos altos do livro. Notável também é a descrição do encontro com Salman Rushdie, outro escritor prometido de morte.

Boa Vida Hemingway“A Boa Vida Segundo Hemingway” (Larousse), de A.E. Hotchner
O autor teve o privilégio de viajar com Ernest Hemingway por 14 anos. Dessa convivência, nasceu este livro, que se aproxima do almanaque não fosse o conteúdo. Hotchner, que escreveu “Papa Hemingway”, relato de sua amizade com o escritor, reúne frases, aforismos, fotos e trechos de diálogos que presenciou. Os capítulos traduzem o que seria a vida do autor de “O Velho e o Mar”: Escrever, Guerra, Caça, Mulheres, Morte. Longe de ser uma biografia, o livro serve como um bom passatempo, para avançar um pouco mais na vida de um escritor fundamental do século 20. A proximidade de Hotchner apaga possíveis intimidações antes de falar o que pensa – não que Hemingway tivesse problema com isso.

O-Jantar-Herman-Koch“O Jantar” (Intrínseca), de Herman Koch
Tudo começa com um jantar que a princípio seria uma confraternização entre irmãos e suas mulheres. Mas logo percebemos que a relação não é tão fraterna. Paul, o narrador, vai destrinchando aos poucos esse conturbado cenário, em que os atos são educados, com uma ironia que transborda eletricidade. O romance evolui com as etapas do jantar, até chegar no momento em que seus filhos, ambos de 15 anos, entram como assunto, depois de um ato cometido por eles. Então, o que era preto e branco se torna cinzento e os personagens revelam camadas até então cuidadosamente contidas. O holandês Koch conduz com maestria, em ritmo de thriller. Se o início o andamento sugere um ritmo cauteloso, tomado até por uma narrativa tediosa, típica de um jantar em que os convidados se sentem intimidados, do meio para frente, com os pratos principais e um conforto maior, as veias saltam e discurso se torna frenético. Para ler em uma noite.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s