Entre parêntesis

Para começar o ano

Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, começou 2015 com uma meta que atiçou muita gente: ele se comprometeu a ler um livro a cada duas semanas durante o ano.

Para começar, elegeu “The End of Power”, do escritor e jornalista venezuelano Moisés Naím. Criou a página A Year of Books e incentivou leitores a conversar com ele. Até o momento em que escrevo este post, mais de 230 mil pessoas já tinham curtido a página – inclusive o blog.

O livro foi lançado no Brasil em 2013 pela Leya como “O Fim do Poder”, em versão impressa e digital. Está disponível nas principais lojas. No exterior, a indicação de Zuckerberg fez os estoques da Amazon em alguns países ficarem sem a edição em papel.

Com essa meta, o chefe do Facebook deverá ler 26 livros em 2015. Para um bilionário e responsável pela maior rede social do mundo, tempo é sempre artigo valioso. Mas como ele é obcecado por cumprir objetivos, deverá passar por essa sem grandes problemas.

Essa história de criar metas de leitura, fui descobrir também na primeira semana de 2015, é muito popular entre blogueiros, videoblogueiros e participantes de redes sociais de livros, como Skoob.

Há listas que determinam a quantidade de livros que deverão ser lidos no ano. Outras criam desafios, como ler um livro de autor brasileiro, outro de autor francês, um de detetive, e por aí vai. Há gente que separa no início do ano os livros que deverá ler nos 12 meses seguintes.

Cada louco com sua mania.

pilha-livrosEste leitor não faz lista de leitura nem programa o que vai ler. Esta é a minha mania. Como me privar de ler um autor que descobri por acaso numa livraria, numa reportagem, numa crônica por que eu tenho uma meta, uma lista a cumprir?

Como acelerar a leitura de um livro que demanda mais tempo ou reduzir o tempo diante das páginas de um thriller somente para encaixar no cronograma?

E aquele período em que a cabeça não quer ler, tão tomada pela última página do livro anterior que não consegue encarar nada a seguir?

E se um autor exige ler outro livro seu, para mergulhar e entender melhor seu universo?

Poderia listar mais algumas situações que me impedem de seguir listas de leitura – ou de filmes, música ou qualquer outra arte.

Há coisas que pedem o olhar abandonado, sem saber para onde ir, a definir a próxima.

Sem lista, sem promessa, sem meta. O blog inicia 2015 da mesma forma que terminou 2014. Com páginas abertas, disposição para descobrir e com apenas um compromisso: com o livro.

Um ótimo ano a todos nós.

**** 

A partir de segunda, veja o que vai aparecer por aqui. São livros já percorridos, no final de 2014 e durante o recesso:

  • Entrevista com o jornalista Carl Hoffman, autor de “Expresso Lunático”, livro em que narra suas viagens pelo mundo por meio dos mais perigosos caminhos
  • A incômoda loucura de Rodrigo Souza Leão em “Todos os Cachorros São Azuis”
  • As crônicas voltam às prateleiras com relançamentos e novas edições de seus mestres
  • Dois livros de Neil Strauss incomodam mulheres e paronoicos
  • Terminam os livros de Kawabata traduzidos no Brasil
  • Reportagem sobre a e-galáxia, a editora de livros digitais que balança o mercado
  • A segunda crônica policial, com livros de Simenon, Elmore Leonard, Dennis Lehane, Arthur Coyle, Andrea Camilleri, Dashiell Hammett, Fred Vargas e Lawrence Block
  • A nova edição de “A Redoma de Vidro”, o romance de Sylvia Plath
  • O magnífico “Colares de Xangô e Sapatos Bicolores”, de William Kennedy
  • A obra-prima “As Brasas”, do húngaro Sándor Mórai
  • O perturbador “Por Escrito”, de Elvira Vigna
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5 thoughts on “Para começar o ano”

  1. Olá Ricardo,

    compartilho do mesmo sentimento com você. Já tentei elaborar listas e metas de leituras, mas como não sou conhecido por ser disciplinado, prefiro ter uma postura mais displicente em relação às minhas leituras. Talvez a única regra autoimposta é ler melhor cada livro que cai em minhas mãos, imergir no conteúdo da obra o quanto for necessário.

    Prefiro pensar na motivação da leitura a partir de daquilo que me instiga num livro: o que posso descobrir de novo, nos costumes das pessoas (ler livros de autores de países tão distantes geográfica e culturalmente) e de que forma as primeiras linhas me impactam. O resto é consequência.

    Abraço e ótimas leituras!!!

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    1. Acho que o mais importante é não se culpar pelos livros que não conseguimos ler ou pela falta de tempo. O tempo virá, e os prazeres que nos esperam nas nossas prateleiras fazem tudo valer a pena. Pegar ao acaso um livro e ser conquistado por ele, ou comprar outro e devorá-lo na mesma hora é sempre muito gostoso. Coincidentemente, é o que comecei a fazer com As Brasas, de Sandor Marai, citado acima, que não demorarei a terminar. E meu ritmo é mais ou menos o de Zuckerberg, de dois livros por mês. Isso me basta e me faz bem. Um 2015 cheio de novidades literárias para você e para nós que o acompanhamos por aqui.

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      1. Estou sob impacto de As Brasas. Quero ler mais do Marai, mas quase tudo está fora de catálogo. Terei que recorrer aos sebos. E a leitura deveria ser assim, concordo com você. Do contrário, vira obrigação, tarefa, e todo o prazer que poderia sair das páginas se escorre como uma sensação de dever cumprido. Bom ano para você.

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