Bélgica, Crônica, Estados Unidos, Policial/Suspense

Literatura policial – Uma crônica

1. Pequena maratona
Recentemente, entrei numa maratona informal de livros policiais. Foram cinco em sequência: “Janela para a Morte” e “Para Sempre ou Nunca Mais”, de Raymond Chandler, “Pietr, o Letão”, de Georges Simenon, “1.280 Almas”, de Jim Thompson, e “Alice”, de Bernardo Kucinski.

Com exceção do livro de Kucinski, que comentei neste post, todos os outros estão nesta crônica.

2. O primeiro Maigret
82575194A viagem começou com o belga Simenon. Sua obra vem sendo reeditada pela Companhia das Letras, em pequenos livros bem cuidados – meu exemplar foi digital, mas os que pude folhear assim me pareceram.

Já tinha lido um romance do comissário Maigret havia muito tempo – nem me lembro qual título foi. Então, desta vez, resolvi ler o primeiro livro em que surge o detetive (são mais de 100, entre romances e contos), “Pietr, o Letão”, este que é considerado um dos melhores da série.

Um corpo encontrado num trem é o pavio que provoca a investigação de Maigret. Ele já esperava o tal letão na composição que chegara a Paris, avisado pela Interpol da presença de um criminoso procurado. Um encaminhamento mais lento e analítico do que talvez seja uma literatura policial clássica faz deste um romance daqueles obrigatórios.

3. Marlowe surge
O contrário acontece com Raymond Chandler e os livros com Philip Marlowe, seu detetive particular. Aqui, a trama, ainda que não seja frenética, é acelerada, com reviravoltas constantes, diálogos ágeis, ríspidos e irônicos e um tanto de pulp fiction.

Em “Janela para a Morte” (L&PM), Marlowe é contratado por Elizabeth Murdock para encontrar uma valiosa moeda que sumiu de sua coleção – ela desconfia da nora. O detetive particular trava duelos primorosos com a viúva. Desconfiado de todo mundo e um tanto sentimental, Marlowe se envolve com assassinatos, valentões e tenta salvar uma mulher vítima de abuso.

Já “Para Sempre ou Nunca Mais” (L&PM), Marlowe é contratado para rastrear uma mulher que embarca num trem. Envolve-se numa pequena cidade com corrupção, tramas que o confundem e num jogo de sedução com seu objeto de investigação.

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em cena de "À Beira do Abismo"
Humphrey Bogart e Lauren Bacall em cena de “À Beira do Abismo”

Impossível dissociar a leitura da imagem de Humphrey Bogart, que viveu Marlowe em “À Beira do Abismo” (The Big Sleep), dirigido por Howard Hawks e roteirizado por William Faulkner. Foi o único filme em que o ator viveu o personagem, mas ele se impregnou tanto que virou sinônimo de Marlowe.

4. Quando a tradução arruina a expectativa

livro-1280-almas-14577-MLB187563040_9900-FFoi minha primeira vez com um livro de Jim Thompson, um dos grandes escritores do gênero, autor de “Os Implacáveis” (filmado por Sam Peckinpah) e “Os Imorais” (dirigido por Stephen Frears). Então, resgatado de um sebo via Estante Virtual, li “1.280 Almas” (Ediouro), a história de um xerife de um condado no interior dos Estados Unidos que vive de dar golpes, apesar de ser desrespeitado pela comunidade. Bem recomendado por leitores de policiais, fui a ele com grande interesse, logo derrotado pela péssima tradução de Daniel Pellizzari. A ironia do original se perdeu na versão em português. O texto ficou duro, sem fluência. Como comparação, a tradução de “O Som e a Fúria”, de William Faulkner, feita por Paulo Henriques Britto para a Cosac Naify, conseguiu captar as falas dos personagens e seus sotaques, vícios e coloquialismo. Na obra de Thompson, tudo isso se perde. Basta ler alguns trechos do original para perceber o equívoco da tradução. Pena. Esperava muito do autor.

5. O que resta na biblioteca
Após essa minimaratona, restaram na coleção “Os Filhos da Noite” (Companhia das Letras, assim como todos seus livros), de Dennis Lehane, e “O Exército Furioso” (Companhia das Letras), de Fred Vargas.

Lehane é um caso especial para o blog. O primeiro livro que li do escritor foi “Sobre Meninos e Lobos”, um dos grandes policiais da história, transformado em um magnífico filme por Clint Eastwood. Depois, li “Paciente 67” – transformado em “Ilha do Medo” anos depois.

Cena de "Sobre Meninos e Lobos"
Cena de “Sobre Meninos e Lobos”

Mas quando li as aventuras de seus detetives, Patrick Kenzie e Angela Gennaro, não me convenceram – “Estrada Escura” e “Sagrado”

Os livros de Lehane sem os detetives são os melhores, na opinião do blog.

No caso de Fred Vargas, uma das preferidas do blog, o livro será devidamente devorado no recesso de fim de ano. Na volta, contarei minhas impressões.

6. O que preciso ter novamente
cia_letras_falcao_maltes“O Falcão Maltês” (Companhia das Letras), de Dashiell Hammett, precisa voltar para casa. Assim como a série de Ripley (Companhia das Letras), de Patricia Highsmith, e “Sobre Meninos e Lobos”. São livros que li e dispensei, não lembro se para sebos ou doações. Mas confesso que não consigo olhar para a prateleira dos policiais e não vê-los lá.

Assim como gostaria de ter de volta “Cidade Pequena” (Companhia das Letras), de Lawrence Block, um dos grandes policiais do início do século.

Anúncios

5 thoughts on “Literatura policial – Uma crônica”

      1. Tem nada não. Eu arrumo outro presente quando você visitar minha biblioteca. Mas trate de aparecer. Vou aproveitar e ler o Cidade Pequena.

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s