Áustria, Equador, Ficção, Notas de leitura, Polônia

Notas de leitura

Uma-homem-morto-a-pontapes_Colecao-Otra-Lingua“Um Homem Morto a Pontapés” (Rocco), de Pablo Palacio
Mais um livro da coleção Otra Língua, que publica autores contemporâneos e clássicos desconhecidos da América Latina. Esta coletânea de contos foi lançada em 1927 pelo escritor equatoriano e chega pela primeira vez ao Brasil. Já era possível então perceber uma certa vanguarda na prosa de Palacio, que não seguia a linha realista da época. Ele se aproveitava do grotesco, do freak, em pequenos flertes com a loucura para retratar uma realidade muito particular. Imprescindível ler o conto que dá título ao volume, uma obra-prima do conto mundial, em que o narrador lê a notícia da morte do homem e, intrigado, resolve investigar por conta própria. Bruxaria, canibalismo, homofobia, doenças, mulheres siamesas, a partir daí, tornam-se temas dos outros nove contos e da novela “Débora”, outro ponto alta da literatura de Palacio. Ele que viveu em um hospício por dez anos e morreu aos 41 anos. Sobre a loucura, escreveu: “Somente os loucos espremem até as glândulas do absurdo e estão no plano mais alto das categorias intelectuais”.

24horas_navida“24 Horas na Vida de uma Mulher” (L&PM), de Stefan Zweig
A novela, de 1927, ganhou vida própria pela coleção de bolso da editora. Este que é um dos mais conhecidos textos do escritor austríaco e foi celebrado por Freud. A trama se passa em um hotel de Monte Carlo, quando surge a notícia de uma mulher que abandona o marido para fugir com um rapaz. O grupo então começa a deliberar sobre o tema até que uma mulher conta um fato que aconteceu com ela tempos atrás. Em 24 horas, ela se apaixonou por um jovem que perdeu tudo o que tinha no jogo e pensava em suicídio. Entram em discussão os limites do ser e o interesse pelo outro sob um olhar subjetivo. Já tinha lido essa novela numa edição antiga, que reunia outros textos de Zweig, mas não consigo me lembrar nem do título nem da editora. De qualquer forma, é leitura fundamental.

joseph-conrad-a-linha-da-sombra“A Linha de Sombra” (L&PM), de Joseph Conrad
Ainda na coleção de bolso da editora, mergulhei neste Conrad, que lembra muito o trabalho de Herman Melville, outro apaixonado pela vida nas embarcações. Neste, o autor polonês conta a história de um jovem que pensava ter abandonado a carreira de marinheiro, mas se vê nomeado capitão de um navio mercante. Ele então terá que enfrentar mais do que as tarefas de comando e se mostrar pronto a enfrentar a vida e seus desafios. Livro de transição, “A Linha de Sombra” (1917) traz um Conrad já consagrado, depois de “Coração nas Trevas” e “Lord Jim”, e mais à vontade com os temas apresentados.

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