Brasil, Ficção, França, HQ, Notas de leitura, Policial/Suspense

Notas de leitura

60291278“O Diabo no Corpo” (Penguin/Companhia das Letras), de Raymond Radiguet
O autor francês foi uma espécie de prodígio. Nascido em 1903, publicou esta novela em 1923, mesmo ano de sua morte, vítima de febre tifoide. Foi aclamado pelo poeta Paul Valéry e pelo escritor Jean Cocteau. O livro fez grande sucesso naquela Paris do entreguerras, onde Radiguet era uma espécie de pupilo da geração modernista. O livro trata da relação entre Marthe, mulher de um soldado servindo na 1ª Guerra Mundial, e um jovem de 16 anos, o narrador sem nome da novela. De simples atração, o caso evolui até a moça engravidar. A notícia se espalha pela vizinhança e os dois amantes se veem cercados e policiados, por amigos e familiares. O final é trágico. Radiguet se revelou mais do que um bom escritor, mas principalmente um criador de ambientes de primeira, com descrições precisas e um retrato de época fiel. O livro serviu como inspiração a “Diabo no Corpo”, filme do italiano Marco Bellocchio com uma belíssima Maruschka Detmers.

13671_gg“Dias Perfeitos” (Companhia das Letras), de Raphael Montes
O escritor de 24 anos foi lançado rapidamente ao estrelato da literatura policial com seu segundo romance – o primeiro, “Suicidas” (Benvirá), saiu em 2010. Recebeu elogios de gente como Santiago Nazarian, Walcyr Carrasco e Scott Turow. A campanha de divulgação de sua editora leva o leitor a comprar a ideia de que estamos diante de um jovem gênio, um prodígio do romance noir, do thriller. Bem, se tirarmos todo o barulho, o que sobra é um bom livro de iniciante, com méritos e problemas. A trama se restringe a praticamente dois personagens. Téo, um tímido estudante de medicina, encontra Clarice, uma espécie de espírito aventureiro, numa festa. Logo, ela se torna sua obsessão. Ele rapta a garota e a leva para uma viagem. É quando surge um dos méritos do livro. Montes conduz o suspense com calma, eleva a tensão a cada virar de página. Peca nos diálogos, fracos, e em soluções repentinas e algumas vezes inverossímeis. Para quem está com apenas dois livros, a tendência é de evolução. Pena que o barulho em volta possa tirar o foco do que vale realmente: a obra.

42690214“Bidu: Caminhos” (Panini), de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
A premissa da HQ é contar a história do primeiro personagem de Maurício de Souza, o cão Bidu. Então, seguindo na linha de especiais que já entregou “Chico Bento – Pavor Espaciar” (Panini, Gustavo Duarte), os dois autores se debruçaram sobre o personagem para criar o começo da amizade de Bidu com Franjinha – os dois estavam na tira inaugural de Maurício de Souza, em 1959. Então um cachorro abandonado, Bidu vai passar por apertos na vida de rua até encontrar seu dono. Os autores conseguiram lidar com a questão da comunicação entre animais com criatividade, sem cair na fantasia exagerada, e construíram um começo pungente, delicado e que vai encantar não somente crianças, mas seus mais antigos leitores.

Quadros da HQ "BIdu: Caminhos"
Cenas da HQ “Bidu: Caminhos”
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