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No centenário de Bioy Casares, uma parada para o sonho

2464743Para alguns leitores, entre críticos e escritores, o melhor romance argentino não é de Borges, Cortázar, Benedetto, Fernández ou Sábato. “O Sonho dos Heróis” (Cosac Naify), de Adolfo Bioy Casares, ocupa esse lugar, acima inclusive de seu talvez mais famoso livro, “A Invenção de Morel” (Cosac).

No posfácio do livro traduzido para o português, Rodrigo Fresán escreve: “O que mais conforma o leitor de ‘O Sonho dos Heróis’ – também como se o recordasse depois de tê-lo esquecido – é descobrir que o romance é a história de uma vida que, tentando recuperar o esquecimento de uma noite última, se rende diante desta afirmação que Bioy abre o capítulo 35: ‘O destino é uma útil invenção dos homens’.”

Para lembrar os 100 anos do nascimento de Bioy Casares (1914-1999), o blog vai até “O Sonho dos Heróis”, um dos monumentos da literatura.

No livro, Casares escreve uma trama que dá voltas em sonhos, como a confundir o leitor. No Carnaval de 1927, Emilio Guana paga uma noitada em um bar após ganhar um bom dinheiro nos cavalos. No terceiro dia, algo acontece com ele, que não consegue se lembrar. Somente três anos depois, no mesmo terceiro dia de Carnaval, é que a memória ressurge.

Nisso, uma série de eventos toma conta da história. O destino é a chave do romance, a forma como coisas e pessoas surgem na nossa vida, e como damos continuidade aos fatos.

“Naquela noite, enquanto comia pão velho, encolhido na cama, refletia que a solidão de cada um era definitiva.”

“Achou que ela estava rindo dele. Quando a encarou, compreendeu que falava com seriedade, quase com fervor. Envergonhou-se mais. Pensou que não estava seguro de crer no que havia dito, nem de aspirar a entender-se perfeitamente com ela, nem de amá-la tanto assim.”

adolfobioy

*****

Hoje, 15 de setembro, Bioy Casares é lembrado pelos 100 anos de seus nascimento. Foi tema de reportagens e análises nos cadernos culturais do fim de semana. O resumo: ele deveria ser mais lido e reconhecido pela sua obra.

No Brasil, pouco é possível fazer para ler em português. A Cosac mantém em catálogo três títulos – “O Sonho dos Heróis”, “Histórias Fantásticas” e “Diário da Guerra do Porco”, mas seu “A Invenção de Morel” está esgotado. Os livros escritos com Jorge Luís Borges dependem de muita sorte para serem encontrados. E é possível ler Casares na “Antologia da Literatura Fantástica”. E só.

A história vai mudar no final deste ano, quando a Biblioteca Azul começa a publicar as Obras Completas do escritor.

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6 thoughts on “No centenário de Bioy Casares, uma parada para o sonho”

  1. De Casares li Diário da guerra do porco (do qual gosto muito) e A invenção de Morel (que não me encantou). Tenho em casa o Histórias fantásticas, mas não li. Vou ver se acho O sonho dos heróis.

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  2. O caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, publicou ontem (Domingo, 14/9) dois ótimos contos curtos de Bioy Casares. Vale a pena…

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