Notas de leitura

82919523“Meu Corpo Não É Seu” (Breve Companhia), do Think Olga
Escrito pela jornalista Juliana de Faria e socióloga Bárbara de Castro, o ebook traz na capa a assinatura do think tank criado para discutir a mulher neste século 21. O Think Olga lançou a campanha Chega de Fiu Fiu, que luta pelo fim do assédio à mulher em espaços públicos, com depoimentos, mapa do assédio e pesquisas, e pela discriminação nas campanhas publicitárias. O ensaio partiu da pesquisa do Ipea, lançada em abril de 2014, que indicava que 65% dos brasileiros achavam que as mulheres com roupas provocativas mereciam ser atacadas – o número foi corrigido depois e caiu para 26%, um quarto da população brasileira. As autoras então tentam entender como se dá a violência contra a mulher, o porque de o crime ainda ser o menos punido e como é o entorno das vítimas. Recheado de números, pesquisas e depoimentos, o ebook é fundamental para estes tempos em que casos como o revelado pelo jornal “O Tempo”, de estupros cometidos em repúblicas estudantis em Ouro Preto, ainda são comuns e ignorados.

13176_gg“Norte” (Companhia das Letras), de Edmundo Paz Soldán
Várias histórias se entrelaçam neste romance do escritor boliviano. Em comum, violência e obsessão que explicam o latino-americano neste século 21. Um serial killer ataca pessoas vizinhas de ferrovias nos Estados Unidos e a TV indica que o criminoso pode ser um latino. É a deixa para atos de violência em todo o país. Um policial do Texas mergulha na caça ao assassino, ao mesmo tempo em que tenta se livrar de problemas na família e de sua relação com prostitutas. Enquanto isso, uma pós-graduanda se apaixona por um professor e engata uma relação desigual em que os objetivos profissionais optam por caminhos divergentes. Há ainda um camponês mexicano que foge do seu país e é tratado como louco na Califórnia. Pode parecer que as histórias não tenham ligação entre si, ou mesmo que não se encaixem, mas Soldán consegue unir as tramas e criar um romance que destila propostas interessantes para a literatura latina-americana. A realidade surge peremptória.

eliane_brum-oficinahq“Uma Duas” (Leya), Eliane Brum
Em entrevista ao blog, a jornalista assim descreveu sua primeira incursão na ficção: “Escrevi meu primeiro romance ao descobrir que há realidades que só a ficção suporta, realidades que precisam ser inventadas para que possam ser contadas”. Em “Uma Duas”, seu até agora único romance, Eliane Brum conta a história da relação conturbada entre mãe e filha, em que ódio, problemas passados mal resolvidos e a constante negação de uma a outra precisam ser superados após um problema de saúde. A escritora alterna narradores, ora em primeira ora em terceira pessoa, e mostra pleno domínio da técnica. O entrelace das duas personagens se aprofunda quando as personalidades de mãe e filha chegam a um ponto comum. O romance então se mostra maduro, um resultado claro de anos trabalhando diante de invisíveis e atrás de histórias que insistem em ser reais.

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