Brasil, Entrevista, HQ

Quer rir? Leia “Xula”. Agora

Enfim, humor rasgado, politicamente incorreto, às vezes tosco, em todas as vezes criativo e, claro, engraçadíssimo.

downloadA revista “Xula”, lançada de forma independente, reúne o trabalho de quatro artistas – Bruno Di Chico, Bruno Maron, Calote e Ricardo Coimbra -, editado pela publicitária e criadora da página Maria Nanquim no Facebook, dedicada a divulgar o trabalho de quadrinistas brasileiros, Luciana Foraciepe.

Sobra para todo mundo. D. Pedro 1º, classe média, elite, Fofão, William Bonner, Drauzio Varela, He-Man, super-heróis, Xuxa, Ed Motta, bancos, médicos, professores e uma gama de personagens que representam o que talvez só George Constanza conseguiu expor: o pior de todos nós em situações hilárias. Fora um personagem desde já antológico, o Capitão Indulgência, e a história do constrangeduto, espécie de exportador de vergonha alheia, com a presença de Carlinhos Brown, bandas de axé e seus seguidores.

A revista tem ótimo acabamento, é toda em cores e tem a assinatura de Jaca na capa. Para comprar, um canal é entrar na página da Maria Nanquim no Facebook. A “Xula” custa R$ 30 e mais um frete de R$ 5. Acredite, será um investimento.

Para entender como nasceu a revista, como foi o processo de edição e falar do mercado de HQs independentes, o blog conversou com Luciana Foraciepe. Na entrevista a seguir, além de contar onde mais é possível comprar a revista, ela vislumbra a possibilidade de um segundo número da “Xula” e diz que a Maria Nanquim vai lançar uma coletânea em livro, com 160 páginas, reunindo os desenhos de Bruno Maron, do blog Dinâmica de Bruto, em outubro.

*****

Como nasceu a “Xula”?
Eu sempre fui apaixonada por quadrinhos, desde pequena. Quando me mudei pra São Paulo, para fazer faculdade, foi natural que eu me aproximasse desse universo do desenho e acabei ficando amiga de pessoas que desenham e que fazem quadrinhos. Em 2012, eu pensei em editar um zine com o Calote e o Di Chico, dois amigos e cartunistas dos quais sou fã. Eles nunca tinham publicado nada só deles (só tinham publicado uma coisa ou outra em coletivos). Conversei com os dois e eles adoraram a ideia. Eu não queria fazer um coletivo, a ideia era publicar os dois. A gente se reuniu em casa para falar da revista e ficamos pensando nos nomes. No meio de um monte de merda, saiu essa outra merda, Xula (com X) e a gente gostou. Pouco tempo depois, teve um lançamento em SP, de varias publicações independentes, na HQ Mix, e a gente conheceu o Bruno Maron e o Ricardo Coimbra. Só conhecíamos os blogs deles e adorávamos o trabalho. Rolou muita identificação entre todos, afinidade imediata.  Um tempinho depois, eu, Calote e Di Chico conversamos sobre chamarmos os dois para “Xula”.

Por que fecharam em quatro nomes?
Concordamos em não colocar mais ninguém porque a ideia inicial era explorar mais o trabalho de cada um, todos tinham que ter bastante espaço. Se eu fosse chamar todo mundo que eu gosto, o projeto ficaria diferente do que eu imaginava. E como bons procrastinadores que somos, tudo aconteceu muito devagar… foram vários encontros engraçadíssimos para falar da revista. Pelo menos a gente já tinha o nome e a vontade de fazer a coisa acontecer.

Quanto tempo entre o surgimento do nome e o lançamento?
Depois de mais de um ano (e de esperar uma história longa do Di Chico – que nunca chegou), resolvi lançar a “Xula” na Feira Plana 2. O bom é que agora teremos uma história longa do Di Chico na “Xula 2” (ele jura que está terminando).

Vai ter o número 2 então?
Na verdade, a ideia era só fazer a “Xula” mesmo, nunca pensamos em número 2, mas tanta gente que compra pede, que estamos planejando fazer a 2.

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Quadrinho de Bruno Di Chico

A “Xula” é uma revista de humor, sem preocupação com o politicamente correto. Como foi o processo de edição? Houve algum receio na hora de “liberar” histórias que mexem com certos “ícones”, como a Xuxa?
Não houve receio nenhum. Infelizmente a “Xula” nunca vai chegar na mão dessas pessoas. O processo de edição foi muito tranquilo, eu só tinha chamado quem eu gosto, foi muito fácil e divertido. O critério era eu gostar.

A edição saiu com quantas cópias. Como estão as vendas? Já se pagou?
Já se pagou! Imprimimos 1.000 (compensava mais imprimir 1.000 do que 500, por exemplo – o valor unitário cai bem). As vendas estão ótimas, muito melhor do que a gente esperava. Tenho comigo em torno de 150 revistas, sem contar algumas poucas que estão na Gibiteria, na Ugra, na Monkix e na Lote 42. A ideia é não reimprimir. Preferimos lançar outra com o dinheiro.

A ideia é transformar a “Xula” em revista com alguma periodicidade?
Nunca foi essa a ideia. Mas como eu disse, muita gente que compra pede a 2, então estamos pensando em fazer a 2 e lançar até o final do ano.

Os artistas podem mudar numa próxima edição?
A ideia é que permaneçam os mesmos, inclusive a capa com Jaca (e quem sabe algum quadrinho do Jaca? Seria lindo). Adoraríamos chamar algum convidado, mas eu morro de medo de chamar um e nao chamar outro… Tem muita gente boa que eu gosto que não esta na “Xula”. Ainda estou pensando sobre isso, mas provavelmente serão os mesmos. Pretendo lançar outra revista com mais gente, outro nome, por enquanto penso em Maria Nanquim mesmo.

Qual a avaliação que você faz do cenário da HQ independente no Brasil? O mercado está receptivo?
Eu acho que está receptivo, sim. Acho que tem muita gente boa (como tem muita coisa ruim). Mas é bom porque a gente pode escolher o que mais agrada. A internet facilitou muito o acesso aos artistas, acho isso lindo. Cada dia descubro uma coisa nova e boa e fico impressionada em saber que ainda tem muito mais pra descobrir.

Quais autores de HQ você indica hoje – brasileiros e gringos?
Os xulos, claro (Bruno Di Chico, Bruno Maron, Calote e Coimbra), o Dahmer, Alexandra Moraes, Luiz Berger, Lafa, Gomez (e a turma do jornal Pimba), Adão, Fernando Gonsales, Marco Oliveira, Rafael Sica, Reinaldo, Joan Cornellá, Molg H., Reza Farazmand, Alison Bechdel, David B… tem muita gente boa que não citei…

578603_843492802344363_729238920_nO nome da sua editora é Maria Nanquim, certo? Há outros projetos em vista? Pode adiantar algum?
Acho que é mais um selo que uma editora. Mas também não faz diferença, o que importa é conseguir viabilizar algum projeto legal. Como te falei, pretendo lançar uma revista maior, chamada Maria Nanquim. Aí chamaria os meninos da “Xula” e outros artistas que eu gosto. E vou lançar a revista “Dinâmica de Bruto”, do Bruno Maron, em outubro, uma coletânea de quadrinhos publicados em seu blog. Como tem muita coisa, vamos dividir em dois volumes.

Qual o maior problema para quem edita e produz HQ independente hoje?
Acho que o grande problema é pagar a impressão. Foi ótimo vender pela internet. Vendemos para todos os Estados. Fico emocionada quando mando uma para bem longe daqui. O correio tem um preço mais acessível pra postagem de livros chamado “frete módico”. A postagem da Xula fica em torno de R$ 5. Um preço justo, de frete, eu acho.

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