Biografias/Perfis, Brasil, Colaboração, Entrevista

“Mussum desarmava a todos com seu bom humor”, diz biógrafo

Por Pablo Pacheco*

Ele nasceu Antônio Carlos Bernardes Gomes, no dia 7 de abril de 1941, no Rio de Janeiro. Teve uma infância difícil, alfabetizou a mãe e estudou bastante até se tornar cabo da Aeronáutica. E se dividiu entre as paixões pelo Flamengo e a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Mas a figura que todos os brasileiros conheceram teve outro nome e alguns padrinhos.

Graças ao comediante Grande Otelo (1915-1993), ao músico Jair Rodrigues (1939-2014) e ao humorista Chico Anysio (1931-2012), Antonio Carlos não chegou a fazer carreira militar. Fundador do grupo Originais do Samba, em 1965, o carioca se transformou no Mussum, apelido dado por Grande Otelo. O Mumu da Mangueira acabou eternizado como um dos integrantes do grupo de humor Os Trapalhões, a partir do fim da década de 70, com Renato Aragão, o Didi Mocó, Dedé Santana e Zacarias (1934-1990).

No último dia 29, a morte de Mussum completou 20 anos. O humorista morreu aos 53 anos, quando não resistiu às complicações pós-transplante do coração.

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Na biografia “Mussum Forévis — Samba, Mé e Trapalhões” (Leya), o jornalista Juliano Barreto traz o Mussum conhecido dos brasileiros e o Antonio Carlos que poucos conheceram, flamenguista no Rio e corintiano em São Paulo.

“A faceta mais famosa do Mussum foi a de humorista, nos Trapalhões, mas tive que reconstruir a infância difícil no Morro da Cachoeirinha, além de resgatar a carreira de músico nos grupos Os Sete Modernos do Samba e Originais do Samba”, diz Barreto.

O início de Mussum na TV aconteceu com o grupo Originais do Samba, no programa “Bairro Feliz”, na TV Globo, junto a Milton Gonçalves e Grande Otelo.

Pouco tempo depois, nos primórdios da “Escolinha do Professor Raimundo” e ainda como personagem secundário, Mussum ouviu de Chico Anysio a ideia de usar mais as expressões “tranquilis”, “como de fatis” e “não tem problemis”. Estava criado, dessa forma, o linguajar que o deixou conhecido como humorista.

Juliano Barreto, autor da biografia de Mussum
Juliano Barreto, autor da biografia de Mussum

Barreto afirma que o profissionalismo do artista se uniu ao convívio fácil e alegre entre músicos e atores.

Segundo o biógrafo, o carisma de Mussum foi tamanho que, durante as entrevistas para a publicação do livro, não teve dificuldades em falar com os cinco filhos que o humorista teve com cinco diferentes esposas. “O Mussum não fez inimigos. Não tinha como ter raiva dele, que desarmava a todos com seu bom humor, seu carisma e constante vontade de ajudar.”

Antes do momento de maior fama na televisão, com Os Trapalhões, Mussum era o Carlinhos, engraçadíssimo nos bastidores e tímido no palco, durante as apresentações dos Originais do Samba, segundo conta Barreto.

Se à noite o Carlinhos era o titular do reco-reco entre os sambistas, de dia, o futuro Mussum foi um homem sério, que alfabetizou a mãe e estudou o tempo inteiro para virar cabo da Aeronáutica.

Nas apresentações dos Originais do Samba, Mussum virou parceiro de músicos como Elis Regina (1945-1982), Jorge Ben, Martinho da Vila e Elza Soares.

De acordo com o biógrafo, depois dos 12 LPs e três discos de ouro com os Originais do Samba, Mussum fez três álbuns solo, foi diretor de harmonia da ala das baianas da Mangueira, instrutor da escola de samba mirim Mangueira do Amanhã e também assinou a trilha sonora de alguns dos filmes dos Trapalhões.

O sucesso dos filmes e programas na TV separou Mussum dos Originais do Samba. Fora da telinha e da telona, Antônio Carlos ouvia samba, boleros e jazz, fumava charuto e bebia uísque. Mas a saúde cobrou um preço alto. No início de julho de 1994, o artista chegou a passar por um transplante de coração, mas não resistiu e morreu duas semanas depois.

Com a internet, cenas de “Os Trapalhões” – que foram exibidas e reprisadas pela TV Globo até 1998 – acabaram reproduzidas aos milhares. Segundo Barreto, o personagem Mussum ficou congelado na rede, nos vídeos antigos e nos memes espalhados pelas redes sociais.

“Para se espalhar, um bom meme deve transmitir uma informação carregada de um humor rápido. E o Mussum era muito usado em quadros curtos, que combinam com a internet”, disse Barreto.

Os TrapalhõesGlossário

Ampola – garrafa de cerveja
Cacildis – interjeição de susto
Diplomata – pessoa importante
Forévis – bunda de mulher
Halterocopismo – hábito de beber socialmente
Mé – abreviatura de mel, que, por sua vez, é eufemismo para bebida
Pindureta – dívida feita e não paga no bar
Suco de cevadis – cerveja

Frases
“Negão é o teu passádis.”
“Quero morrer prêtis se eu estiver mentindo.”
“Minha vida é um litro abertis.”
“Criôlo é a tua veia.”
“Eu vou me pirulitar.”
“Não sou faixa preta, cumpádi. Sou preto inteiris.”
“Mais vale um bebadis conhecidis que um alcoólatra anonimis.”

*****

Em seu blog, André Barcinski separou alguns vídeos de Mussum em cena n'”Os Trapalhões”. Está neste link.

A reportagem foi publicada no “Correio de Uberlândia” editada. Aqui no blog, o texto sobre a biografia de Mussum aparece na íntegra.

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