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Notas de leitura: humor, farsa e sátira

EU FALAR BONITO“Eu Falar Bonito um Dia” (Companhia das Letras), de David Sedaris
Na mesma linha de Geoff Dyer, Sedaris utiliza sua vida pessoal para em seus textos. Mas se para o autor de “Ioga Para Quem Não Está Nem Aí” sua experiência vale uma análise mais próxima do ensaio, neste estamos mais próximo da crônica. Sedaris senta no divã para contar sua infância, a descoberta da sua homossexualidade e como isso o influenciou. E, para tanto, ele faz valer de sua experiência como humorista para entregar um relato direto e profundamente revelador. Sem comiserações, o escritor norte-americano ri de si mesmo. A primeira parte provoca um riso em alguns casos até constrangedor. Mas na segunda, quando ele viaja para Paris com seu marido para ficar uma temporada em fuga, depois que uma construção começou em frente ao seu prédio em Nova York, Sedaris encontra o tom certo. Brinca com as diferenças entre as culturas, com costumes e sua vida parisiense. O texto sai delicioso e compulsório.

entao-ta-jeeves_grd“Então Tá, Jeeves” (Globo), de P.G. Wodehouse
O livro está fora de catálogo, assim como os outros dois da série – os únicos lançados no Brasil. Mas nada como uma livraria que deixa escondidas e esquecidas nas prateleiras pequenas pérolas. Mestre do humor inglês, Wodehouse criou o mordomo Jeeves para salvar a pele do seu patrão, Bertie Wooster. Ask Jeeves virou gíria, para quem passa um aperto e precisa de ajuda. Neste volume, Wodehouse aconselha parentes e amigos da família a resolver seus problemas sentimentais, mas Wooster se intromete e resolve ele mesmo dar solução às questões. Vai criar um caos na temporada que passa na casa de campo de sua tia. Até que providencialmente Jeeves o salva. Tudo isso conduzido pela mão leve de Wodehouse, um humor fino, que não provoca gargalhadas, mas sempre deixa um sorriso insinuante no rosto. É uma farsa no melhor estilo inglês. Se encontrar qualquer volume da série Jeeves, não deixe passar.

download“O Mestre e Margarida” (Alfaguara), de Mikhail Bulgákov
Sátira do escritor russo, lançada postumamente em capítulos numa revista então soviética em 1966 e 1967. É considerado um clássico moderno da literatura russa, de um autor nem tão conhecido, mas que cutucou o regime comunista. Sabia que teria problemas com a censura – chegou a queimar uma primeira versão do livro – e guardou o romance sem saber que, 20 anos depois de sua morte, seria lançado com estardalhaço. A história beira o absurdo para radiografar a vida na União Soviética. O diabo aporta em Moscou na década de 1930, com uma comitiva um tanto inusitada, que inclui um gato gigante que anda em duas patas. Então a vida sob o comunismo é cirurgicamente invadida: as moradias divididas, o medo da repressão, censura, burocracia, nada escapa do olhar atencioso de Bulgákov. E é muito bem escrito, na melhor tradição da literatura russa.

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2 comentários em “Notas de leitura: humor, farsa e sátira”

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