Estados Unidos, Ficção, Notas de leitura

Notas de leitura

A_NOITE_DOS_DESESPERADOS_1258118245P“A Noite dos Desesperados” (Sá Editora), de Horace McCoy
O título brasileiro é triste – o original, “They Shoot Horses, Don’t They?”, pergunta chave do livro, aparece na capa, como se fosse uma tentativa de remediar a escolha, baseada no filme de 1969 dirigido por Sidney Pollack. Uma das melhores obras sobre a Depressão dos EUA causada pelo crash de 1929, o livro de 1935 expõe a crise econômica e moral que assolava o país na época. Inscritos num concurso de dança, um casal tenta ganhar o prêmio para ter algum dinheiro. Vão se deparar com mudanças de regras, manipulações para atrair público e exaustivas sessões de dança. McCoy foi enxuto na narrativa. Em 150 páginas, conseguiu radiografar um país inteiro. A edição tem vários erros ortográficos e gramaticais, o que é uma pena, merecia uma revisão mais cuidadosa. A editora trabalha com um catálogo alternativo e interessante – atualmente, explora nomes da literatura turca.

Violinista“O Violinista e Outras Histórias” (Arte & Letra), de Herman Melville
Bom lançamento de uma pequena editora e livraria de Curitiba, que também desenvolve um catálogo interessante – as novelas de Miguel de Cervantes ganharam edição em três volumes, por exemplo. Neste, foram reunidos sete contos do autor de “Moby Dick”. Longe da sua prosa tradicional, dedicada às obsessões ao mar, como em “Billy Budd”, Melville trata da explosão das cidades e os problemas sociais que chegam juntos. Evoca Edgar Allan Poe em “O Homem dos Para-Raios” e “O Violinista”, os dois melhores contos da seleção – que é irregular. De qualquer forma, o saldo surge positivo ao fim da leitura. O mercado precisa de iniciativas como esta para amadurecer e oferecer alternativas aos clássicos.

O_RIO_INFERIOR__1391791632P“O Rio Inferior” (Alfaguara), de Paul Theroux
Neste romance de 2012, o escritor volta à África em tons ficcionais. O dono de uma loja de roupas masculinas em Massachussets de repente se vê às voltas numa crise conjugal por conta de um smartphone que ele não sabe manusear. Separe-se e encontra no caminho a frieza da filha, que exige a parte dela da herança imediatamente. Sem compromisso algum na cidade, ele resolve viajar para Malaui, onde viveu por quatro anos como professor. Espera reencontrar a vida que teve na época, mais de 40 anos atrás. O que encontra é uma África assolada por guerras civis e a aids. Apesar da lembrança, a fome e o instinto de sobrevivência falam mais alto. A metade final se aproxima de ideias de Stephen King – vem à mente o livro “Louca Obsessão”. Theroux foge um pouco das reflexões características de seus romances, da estranheza que o estrangeiro causa, das dificuldades de adaptação e da troca de culturas. De qualquer forma, “O Rio Inferior” ainda é um Theroux em forma.

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