Comentário, Ficção, Nigéria

Leitura em andamento – Um mergulho na Nigéria

12738_ggCostumo ler dois livros simultaneamente. Um de ficção e outro de não ficção. Atualmente, divido meu tempo entre as deliciosas entrevistas feitas pela jornalista australiana Ramona Koval em “Conversas com Escritores” (Biblioteca Azul) e o romance “O Mundo se Despedaça” (Companhia das Letras), do nigeriano Chinua Achebe.

Sobre as entrevistas, voltarei a falar em outro post. Encanta-me igualmente este que é considerado o romance fundador da literatura nigeriana contemporânea – e aqui repito as palavras do autor do prefácio e do glossário, Alberto da Costa e Silva. Este é meu primeiro livro de um autor nigeriano, e, portanto, sou, além de leigo, um iniciante.

Percorridas 100 das 231 páginas do livro, percebo que estou mergulhado num vilarejo nigeriano a ouvir as histórias contadas por Achebe. Mais do que uma trama, o romance se propõe a contar histórias, sem promover investigações sociológicas/antropológicas de guerras civis e tribais.

O que lemos, pelos menos até agora, sim, tem as tribos como protagonistas, mas como coadjuvantes da história – se é que um protagonista possa ser coadjuvante. A ideia é que algo maior do que os moradores de Umuófia guiam as páginas, sem estar necessariamente descrito.

A história gira em torno de Okonkwo, um dos patriarcas da comunidade, que teve uma adolescência difícil até se tornar um guerreiro condecorado e líder da tribo. A contracapa explica que ele vai enfrentar a decadência, mas ainda não cheguei no ponto.

02725_ggAchebe tem outros quatro livros publicados no Brasil, sendo um infantojuvenil e uma coletânea de ensaios – este “O Mundo se Despedaça” foi publicado originalmente em 1958 e lançado no Brasil em 2009. É um exímio contador de histórias, que conduz as palavras como se fosse o centro de atenção em um encontro ao redor do fogo. Fico a ler suas palavras como se as ouvisse. É envolvente e cativante.

Além disso, descreve rituais e costumes nigerianos de forma simples e didática, o que alarga as possibilidades desse mergulho. A história da chegada da nuvem de gafanhotos na plantação de inhame é espetacular, no momento em que a experiência dos idosos se une ao ímpeto dos mais jovens para a captura dos insetos.

A essa descrição soma-se todo o ritual de preparo dos insetos como iguarias. Confesso que fiquei com vontade de provar um gafanhoto com azeite de dendê.

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