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Notas de leitura

Hotel-Savoy_ALTA-199x300“Hotel Savoy” (Estação Liberdade), de Joseph Roth
Lançado em 1924, o livro é um retrato da Europa pós 1ª Guerra Mundial, com nações em dilemas de identidade e em busca de apego. Gabriel Dan é um ex-combatente russo judeu que se hospeda no hotel do título – não sabemos onde fica, apenas que o local se parece com a Polônia.

O Savoy é um ponto de encontro de regressados da guerra, que buscam um lugar para viver e se adaptar aos novos tempos. Através dos olhos de Gabriel, o leitor encontra uma gama de personagens dos mais excêntricos, órfãos de impérios e revoluções. Pouco descobrimos sobre Gabriel. A perspectiva do narrador em primeira pessoa é deixada de lado para fortalecer a visão da época de Roth.

“Como sombras mudas as pessoas passam uma ao lado da outra, é uma reunião de fantasmas, aqui caminham alguns que já estão há muito tempo falecidos. Há milhares de anos esse povo anda por ruelas estreitas.”

imagem“O Obsceno Pássaro da Noite” (Benvirá), de José Donoso
O primeiro livro que li do autor foi “O Lugar sem Limites” (Cosac Naify), um dos melhores do ano passado. Foi o suficiente para me fazer encarar este que é considerado seu melhor trabalho.

É uma obra ousada, com estrutura inventiva, que exige o máximo do leitor. Os narradores mudam no mesmo parágrafo, sem dar dicas ou sugestões ao leitor. Ele explora as tradições chilenas e mistura ao realismo fantástico.

Um rapaz passa os dias em um convento fechado, cuidado de freiras e velhas sem lar. Suas lembranças são a espinha dorsal do romance, ele é o principal narrador, que vai destravar a narrativa quando lembrar de seu passado e do universo paralelo criado por seu antigo patrão.

Ao final das 488 páginas, posso dizer que não me senti recompensado pelo esforço. Esperava mais do que a inventiva narrativa.

Livro Morrissey“Quem Vai Ficar com Morrissey?” (Edições Ideal), de Leandro Leal
Nick Hornby fez um mal à literatura brasileira. Com obras como “Alta Fidelidade” e “Um Grande Garoto”, criou um subgênero da literatura pop no país, em que muitos acharam que poderiam escrever um romance e misturar influências culturais.

A principal diferença é que Hornby escreve muito bem. E isso muda todo o jogo.

O mais novo a enveredar por esse campo é Leandro Leal. A premissa do livro: um casal se separa e surge a dúvida – quem vai ficar com as músicas do The Smiths?

O texto é cru, com soluções simplistas e ingênuas. Os diálogos são pobres, faltam ritmo e bom humor. Claro, sobram citações e referências pop. Mas daí a navegar na onda Hornby vai uma grande distância.

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5 thoughts on “Notas de leitura”

  1. Lendo você falar do livro de Donoso, me dou conta do quanto a literatura latino-americana bebeu da fonte de Faulkner, um autor difícil e criador de universos. Para mim, o mais bem-sucedido ao captar essa influência foi Vargas Llosa com Conversa na Catedral. Preciso voltar a Faulkner, mas tenho preguiça.

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    1. Donoso é bem assim. Não chegou ano nível de Som e Fúria, mas claramente foi influenciado por Faulkner. Ainda não li esse do Llosa, tenho o livro, quem sabe em breve. E reler Faulkner não é fácil, eu também não passei por essa experiência ainda.

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