Brasil, Entrevista, Música, Não ficção

Fabio Massari conversa com o blog: música, jornalismo e livros

No começo de fevereiro, o blog publicou texto sobre “Mondo Massari – Entrevistas, Resenhas, Divagações & Etc” (Edições Ideal), do jornalista Fabio Massari.

Agora, segue a entrevista com autor. Ele fala não só sobre o livro, mas também do atual jornalismo musical. Indica livros e conta em primeira mão que vai lançar uma HQ.

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Normalmente, coletâneas de textos já publicados saem em livros apenas como reprodução. Você optou por fugir dessa tática, com entrevistas na íntegra. Como chegou ao formato?
O mote principal aqui era a marca: Mondo Massari. A ideia era reunir, em livro, toda a produção com essa marca – o livro como suporte-denominador comum de registros diferentes. No caso das colunas da “Rolling Stone” e do Yahoo! Brasil, temos reprodução (pouquíssima variação com relação ao material original, só detalhes); já as entrevistas radiofônicas vêm com esse diferencial – são transcrições, digamos, brutas, do material bruto das conversas – portanto muito mais material do que foi conferido à época pelos ouvintes.

Qual o critério de seleção de colunas e artigos? O que o levou a colocar tais bandas e deixar outras de fora. Seu livro é, de certa forma, uma volta ao passado e as bandas já não são mais novidades. Então, como foi escolha?
O critério, portanto, foi o de ter um volume bem completo de material referente ao projeto Mondo Massari – tem algo do surgimento da marca e amostras das entrevistas televisivas (MTV), tudo das colunas (revista e portal) e as entrevistas completas do ETC (rádio).
Não sei se concordo com a volta ao passado e, claro, muitas das bandas podem não ser novidade agora, quatro ou cinco anos depois da conversa ou do artigo. O Wooden Shjips tem quatro discos hoje, projetos paralelos e afins; na época em que entrevistei, estava lançando o primeiro álbum. No caso das atividades Mondo Massari, a ideia sempre foi, aliás, cruzar as fronteiras temporais – sempre teve espaço pra Zappa e Faust, claro, mas obviamente pela própria natureza da empreitada sempre houve muito espaço para as novidades. No caso das colunas da “Rolling Stone”, por exemplo, estamos falando de indicações discográficas que, à época do registro, eram bastante novidadeiras.

O livro está indo bem?
Sim, acho que vai indo muito bem – dentro das expectativas que, diga-se, sempre foram muito realistas. Imagino que estamos falando de um público que, na sua grande maioria, sabe mais ou menos o que vai encontrar, no sentido de que é um pessoal que se identifica intensamente com esse tipo de universo cultural/musical. E imagino também que tenham algum tipo de identificação com meu tipo de abordagem desse universo. Boa recepção, lançamentos divertidos… nada como uma Sasha Grey, mas muito divertido!

O que existe ainda no seu baú que pode ganhar as prateleiras? E há novo livro no horizonte?
Pela mesma Edições Ideal, vem aí “Malcolm”, o quadrinho. Mais informações com a editora! E se tudo der certo, mais títulos chegarão às prateleiras até o fim do ano. Quanto a projetos, só posso dizer que o grande livro de projetos não para de crescer – geometricamente.

Foto: Marcelo Ribeiro
Foto: Marcelo Ribeiro

Não vou pedir indicações de bandas. Como a entrevista é para um blog dedicado aos livros, gostaria que você indicasse livros relacionados à música – podem ser de crítica, ensaio, reportagem, biografia, na quantidade que quiser.
Com prazer. Dos colegas de Ideal, destaco o “Reino Sangrento do Slayer” e “A História Não Contada do Motörhead” (ambos do Joel McIver, que também assina a biografia do Max Cavalera, “My Bloody Roots”) e “Na Estrada Com Os Ramones” (Monte Melnick e Frank Meyer), pequeno clássico do gênero. Gostei muito da biografia do Sabotage, “Um Bom Lugar” (Toni C.), trabalho totalmente firmeza. De lançamentos internacionais, destaque (pessoal) para as biografias “Too High To Die – Meet The Meat Puppets” e “Stuart Adamson – In A Big Country”, sobre as bandas Meat Puppets e Big Country;” Late Century Dream – Movements In The US Indie Music Underground”, coletânea investigativa de cenas específicas (80’s e 90’s principalmente) a partir das suas cidades de origem; e o fantástico tijolo (700 e tantas páginas) “Facing The Other Way”, empreitada gloriosa de Martin Aston para contar a história da etiqueta britânica 4AD – lindo demais!

Você trabalhou em todos os meios de comunicação – rádio, TV, jornal, revista, internet. Em qual você se sente mais à vontade?
Tenho certa predileção (e interesse sócio-cultural-existencial) pelo universo radiofônico, mas acabo me divertindo onde quer que seja – a matéria-prima é a mesma.

Ainda é possível encontrar bom jornalismo musical no Brasil? Quem faz um bom trabalho? A crítica musical ainda é relevante?
Vou responder a essas duas aproveitando a pergunta dos livros: Ricardo Alexandre e seu mais recente trabalho, “Cheguei Bem A Tempo De Ver O Palco Desabar”. Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre a validade (ou relevância) da profissão ou sobre o nível de excelência que trabalhos do gênero podem alcançar, eis o livro. Basicamente, acho que deveria servir de material didático, obrigatório, nas faculdades de comunicação da vida (eu fiz uma dessas). É jornalismo do bom: organizado, técnico, informativo. E muito autoral, absolutamente cativante na sua prosa classuda de memorialismo protogonzo de Jundiaí. Um dos livros mais importantes do jornalismo musical brasileiro, e ponto.

Hoje, qualquer pessoa pode descobrir bandas de lugares remotos. Redes sociais, coletivos, blogs disseminam os novos nomes. Como fica seu trabalho de garimpo nessa nova realidade?
Acho que também deve haver certa relativização nessa colocação. Acho que é uma questão de percepção. De fato, está tudo mais à mão, mas o que importa é o destino dessa informação – o que você faz com ela. E se há acesso a praticamente tudo, muita coisa pode surgir e desaparecer debaixo do nosso nariz sem que percebamos que algo de fato aconteceu. O garimpo só se intensifica com os tempos, acho que justamente por conta dessa sensação de que o mundão de sons (e afins culturais) se encontra em destrambelhada, e deliciosa, expansão. Quem quiser embarcar nessa Enterprise, é só  chegar.

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Sobre “Malcolm”, o blog pediu mais informações à editora: “Trata-se de uma HQ, que ilustra em quadrinhos uma entrevista feita pelo Massari. Será lançado no primeiro semestre de 2014”, disse Marcelo Viegas, editor da Edições Ideal.

E para facilitar o caminho dos interessados, segue abaixo a lista de livros indicados por Massari.

  • “O Reino Sangrento do Slayer” (Edições Ideal), de Joel McIver
  • “A História Não Contada do Motörhead” (Edições Ideal), de Joel McIver
  • “Na Estrada Com Os Ramones” (Edições Ideal), de Monte Melnick e Frank Meyer
  • “Um Bom Lugar” (LiteraRua), de Toni C.
  • “Too High To Die – Meet The Meat Puppets” (independente), de Greg Prato
  • “Stuart Adamson – In A Big Country” (Birlinn), de Alla Glen
  • “Late Century Dream – Movements In The US Indie Music Underground” (Black Dog), de Tom Howells
  • “Facing The Other Way” (The Friday Project), de Martin Aston
  • “Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar” (Arquipélago Editorial), de Ricardo Alexandre
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