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O mundo de Massari

Num país em que o jornalismo musical não encontra espaço a não ser em alguns jornais – em espaço bem reduzido atualmente – e em poucas revistas, como “Rolling Stone”, existir alguém como Fábio Massari é um alento.

Sem um mercado de mídia impressa, com o espaço diminuto nos grandes jornais, a TV restrita aos índices de audiência, resta a internet, plataforma que ganha vários nomes que fizeram uma certa fama na virada do século 20 para o 21.

Massari é um jornalista dedicado à música que realmente conhece o assunto. E, para abusar do clichê, é um desbravador. Escreveu um livro apenas sobre a cena musical da Islândia, “Rumo à Estação Islândia” (Conrad). Busca sons em lugares improváveis e apresenta ao público com simplicidade, sem a arrogância típica desse universo.

Fábio Massari apresentava o “Rock Report”, programa de novidades da 89 FM, nos anos 90, que me apresentou muita coisa nova e me fez percorrer Wop Bop, Baratos Afins e London Calling atrás de importados. Ele foi a pedra de salvação da MTV, mas nunca fui um espectador regular. Saiu da emissora e criou o “ETC”, na Oi FM. Escreveu no Yahoo! e na “Rolling Stone” brasileira.

Parte desse material saiu compilado em “Mondo Massari – Entrevistas, Resenhas, Divagações & Etc” (Edições Ideal) – entrevistas, colunas, reportagens.

massari_01O universo do autor está todo lá, em suas mais de 470 páginas. Massari consegue imprimir no texto a marca da conversa – a sensação é de estarmos ouvindo o jornalista, para quem conhece sua voz e seus trejeitos.

O leitor então se depara com bandas da Bélgica, Itália, Letônia, Noruega e lugares improváveis para surgir um grupo de rock. As entrevistas estão na íntegra, sem a edição que elimina, normalmente, o papo furado – o que se lê é o encontro, com a introdução, cumprimentos e o bate-papo. O texto ganha, dessa forma, um tom informal, que talvez com outro jornalista no comando se tornasse algo enfadonho, mas que na condução de Massari é exatamente o contrário.

Quando critica ou apresenta uma nova banda, Massari contextualiza, busca referências e entrega ao leitor um texto limpo, claro, que serve como guia para quem quiser conhecer música nova. Massari procura desvendar o assunto, de forma a apresentar suas opiniões levemente. E isso é um alívio para o leitor.

Massari, inconscientemente, trabalha sempre ao longo de uma espinha dorsal – Frank Zappa. Fã incondicional e autor de “Detritos Cósmicos” (Conrad), espécie de manual de instruções sobre o músico norte-americano, Massari raramente deixa escapar uma oportunidade de citar ou relacionar Zappa.

O livro tem um único e grande defeito. Precisa urgentemente de uma revisão para a segunda edição. Erros de português correm solto pelas páginas, alguns até graves – como vírgulas que separam sujeito do verbo.

Não compromete, claro, o conteúdo, mas machuca os olhos do leitor.

Sinapses

  • “Beijar o Céu” (Conrad), de Simon Reynolds
  • “Reações Psicóticas” (Conrad), de Lester Bangs
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3 thoughts on “O mundo de Massari”

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