Argentina, Crônica, Ficção, Itália

Das listas do Facebook à memória de um filho

John Cusack como o protagonista de "Alta Fidelidade"
John Cusack como o protagonista de “Alta Fidelidade”

O Facebook tem algumas manias impossíveis de serem rastreadas. Por exemplo, em menos de duas semanas, a rede social, acometida de uma febre flemingniana (de Rob Fleming, o protagonista de “Alta Fidelidade”), virou museu, depois cinemateca e, por fim, biblioteca – e voltou ao cinema.

Participei da corrente literária, que pedia, a convite de uma amiga, uma lista de 10 livros importantes para mim, pensados na hora, sem pesquisas à biblioteca.

Esta foi minha lista, sem ordem de preferência:

  • “Crime e Castigo”, de Dostoievski
  • “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar
  • “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck
  • “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez
  • “O Som e a Fúria”, de William Faulkner
  • “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway
  • “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger
  • “Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino
  • “O Mal Estar na Civilização”, de Freud
  • “O Aleph”, de Jorge Luis Borges

Poderia ter citado “Vertigo”, de Paul Auster. Ou “As Folhas da Relva”, de Walt Whitman. “O Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa. Ou “Luz em Agosto”, de Faulkner. Talvez trocasse o Gabo por “O Amor nos Tempos do Cólera”. Enfim, a lista poderia se modificar totalmente a cada vez que fosse feita.

se-uma-crianca-numa-manha-de-verao--carta-para-meu-filho-sobre-o-amor-pelos-livros-cotroneo-roberto-1154-156145-GLembrei então de um livrinho que guardo com muito carinho. “Se Uma Criança Numa Manhã de Verão” (Rocco), do crítico italiano Roberto Cotroneo, é uma coletânea epistolar, cartas escritas ao filho de 2 anos sobre seu amor pelos livros.

No texto, Cotroneo diz que cansou de pedestais e da forma como a literatura, a alta, trabalha para afastar o leitor, o que ele não deseja para seu filho. E escolhe cinco livros (tal qual uma lista típica de Rob Fleming) para compartilhar com seu filho.

Esta é a lista de Cotroneo:

  • “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson
  • “O Apanhado no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger
  • “A Terra Desolada”, de T.S. Eliot
  • ” Prufrock”, de T.S. Eliot
  • “Náufrago”, de Thomas Bernhard

Desses, só não li “Náufrago”, mas está na minha lista de desejos do Estante Virtual. E como pude esquecer de Eliot na minha lista…

Enfim.

É comovente ler a defesa que Cotroneo faz da literatura, aquela que faz bem ao leitor, longe de amarras e convenções.

Termina com uma citação a Borges, homenageado ao longo do livro, em espanhol: “Todas las cosas en el mundo me llevan a una cita o a un libro”.

Esse trecho está numa curta narrativa, “As Ilhas do Tigre”, presente no magnífico “Atlas” (Companhia das Letras). A frase completa: “Releio o que escrevi acima e comprovo com uma espécie de melancolia agridoce que todas as coisas do mundo me conduzem a um encontro ou a um livro”.

O blog, de certa forma, é devedor de Cotroneo e Borges.

Jorge Luis Borges | Foto: Alicia D'Amico
Jorge Luis Borges | Foto: Alicia D’Amico
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