Comentário, Ensaio, Estados Unidos, Ficção

Quando o ensaísta supera o romancista

Jonathan Franzen chegou ao auge em 2011/2012, quando lançou seu “Liberdade”. Foi considerado o escritor do século pela “Time”, o livro frequentou listas dos mais vendidos e dos melhores do ano.

Lembrei do autor quando coloquei a leitura da “Piauí” em dia no final do ano. Na edição de novembro, a revista publicou o ensaio “Pronto, falei”, em que o escritor busca em Karl Kraus respostas para entender o mundo altamente conectado e consumista.

Foi quando confirmei que gosto muito de ler o Franzen ensaísta, mas não me simpatizei com o romancista. Na época do frenesi em volta de “Liberdade” – todas as obras de Franzen são publicadas no Brasil pela Companhia das Letras -, fui ler o anterior, “As Correções”. Com dificuldade, cheguei às 100 primeiras páginas, de um total de quase 600. Consegui avançar por mais 100, já de forma dispersa, sem concentração, com um virar de páginas levado pela inércia.

Desisti com a pergunta na cabeça: por que tanta onda para Franzen? Amigos me diziam que valia a pena insistir, que haveria recompensa, mas, por algum motivo, não fui forte o suficiente. Havia mais a ler.

Jonathan-Franzen-006A situação em torno de Franzen começou a mudar em junho de 2012, quando a “Piauí” publicou o ensaio “O cérebro do meu pai”, em que relata a doença do pai, que sofria de Alzheimer. Era uma amostra do livro “Como Ficar Sozinho”, que seria lançado no final do ano pela Companhia das Letras.

E descobri então o Franzen ensaísta. Comprei e li “Como Ficar Sozinho” com avidez. Os temas dos textos orbitam a solidão, privacidade e literatura, com uma fluidez que não consegui encontrar nos romances.

Desse parti para “A Zona do Desconforto”, espécie de autobiografia em que narra sua juventude no Meio Oeste americano e a vida adulta em Nova York, num retrato muito bem traçado da década de 70.

Não voltei a Franzen até ler o ensaio da “Piauí” no final do ano passado. Não tentei também retomar “As Correções” nem começar outra ficção – “Liberdade” e “Tremor”. É um autor que, pelo menos até agora, vive apenas do lado da não ficção na minha biblioteca.

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5 thoughts on “Quando o ensaísta supera o romancista”

  1. Engraçado, eu adoro os dois calhamaços, Liberdade e As Correções. Até hoje não esqueço o fim melancólico do patriarca neste último, seu ato silencioso de coragem e respeito à filha. Acho um autor classudo, elegante, que me conquista fácil com sua prosa. Li esses dois sem maiores suplícios, as páginas se sucedendo. Tive até que comprar Liberdade duas vezes quando fui roubado numa viagem. E agora, depois da leitura acima, me interessei por Como ficar sozinho.

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    1. Li As Correções e vejo o romancista mal compreendido. Talvez o texto dele seja amarrado de forma menos óbvia, o que pode tornar a leitura um pouco mais “ardida”, portanto, não menos importante. Eu recomendo!

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