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Dos arquivos: Yasunari Kawabata

Houve uma época que, em momentos de tensão ou ansiedade, eu recorria a Gabriel García Márquez. Qualquer livro, para ler ou reler, era uma espécie de recarga. Um porto seguro.

Sua leitura devolvia as forças necessárias para o momento. O mergulho em seu universo proporcionava esse alívio.

Hoje, Gabo foi substituído por Yasunari Kawabata. Sua literatura etérea e delicada promove uma viagem a um mundo raro, distante e ao mesmo tempo desejoso.

O primeiro livro que li do autor japonês, Nobel em 1968, foi “A Casa das Belas Adormecidas” (Estação Liberdade), um tema que Gabo parafraseou em “Memórias de Minhas Putas Tristes” (Record) 36 anos depois. Um exímio narrador e condutor, Kawabata, neste seu melhor livro, leva o leitor a um passeio por tabus em que a tradição japonesa comparece subliminarmente.

Avancei por “O País das Neves”, “O Som da Montanha”, “O Lago”, “A Dançarina de Izu” e “Contos da Palma da Mão”, sempre com o mesmo encanto – todos Estação Liberdade.

Seu último livro a passar pela minha cabeceira foi “Kyoto”, uma bela história sobre duas gêmeas separadas no nascimento e que se reencontram no Japão pós-guerra, em classes diferentes e em um país que leva a tradição familiar com rigor.

A cultura japonesa marca presença no romance por meio dos fabricantes de quimonos e faixas. Em descrições deliciosas e suaves, Kawabata promove um choque de gerações que forçosamente têm que conviver.

Kawabata se tornou este porto seguro talvez por sua prosa calma, transmissora de uma paz que suga pensamentos e o deixa o leitor submerso em sua história, desligado do mundo.

Para quem for começar a ler Kawabata, qualquer um dos livros citados aqui são excelentes portas de entrada. As edições da Estação Liberdade são cuidadosas, com traduções feitas diretamente do japonês – apenas um livro lançado em português pertence a outra casa editorial, “Beleza e Tristeza”, da Globo.

As capas dos livros da Liberdade são feitas pela artista plástica e arquiteta Midori Hatanaka, o que confere à coleção um ar especial.

Abaixo, três exemplos do trabalho de Midori.

casa-belas-adormecidas-alta
“A Casa das Belas Adormecidas”
“A Dançarina de Izu”
“Kyoto”

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