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Pantaleão me visita novamente: uma releitura de Llosa

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Livro encerrado, livro aberto.

Escolhi ler “Os Filhos da Meia-Noite” (Companhia das Letras), de Salman Rushdie, uma edição eletrônica que comprei por R$ 9,90 no Kobo em uma das várias promoções que a editora fez para e-books.

Os livros eletrônicos permitem, quando alcançam preços razoáveis, descobertas e redescobertas. Por esse preço, a minha biblioteca no Kobo tem “Dois Irmãos”, um belo livro de Milton Hatoum que li pela primeira vez. Enfrentava uma certa resistência com o autor depois da difícil passagem por “Relato de um Certo Oriente” (Companhia das Letras), anos atrás. O preço me deu coragem para encarar “Dois Irmãos”, que muitos consideram como seu melhor livro.

Já “Pastoral Americana”, um dos melhores Philip Roth na minha opinião, está armazenado para releituras casuais.

O livro de Rushdie estava na fila havia uns bons meses. Comprei após ler a autobiografia “Joseph Anton – Memórias” (Companhia das Letras). Multipremiado, o livro namora o romance histórico ao tratar da Índia independente.

Mas não me encantei pelo romance. Pelo contrário, larguei antes de chegar na metade. O tempo que a autobiografia me fez ficar acordado, envolvido com a vida de Rushdie, foi descontado neste livro.

PantaleaoAinda com o Kobo na mão, vasculhei a biblioteca para ver o que tinha para ler. Lá, repousava “Pantaleão e as Visitadoras” (Alfaguara), de Mario Vargas Llosa, que comprei pelos mesmos R$ 9,90 há uns quatro meses.

E comecei a reler aquele que para mim é um dos melhores livros do peruano. E não parei até chegar quase à metade.

Bem humorado, o livro é uma crítica ácida ao espírito machista da América Latina militar. A história do oficial que tem que criar e fazer funcionar uma empresa de prostitutas que atendam aos soldados instalados na Amazônia é das coisas mais prazerosas já escritas. Os relatos de Pantaleão sobre a empreitada, tratada com um negócio formal, em relatórios para seus superiores, são geniais.

Llosa demonstra técnica ao costurar tramas sem delimitar onde cada uma começa. Os diálogos se misturam e tornam a leitura frenética.

Li “Pantaleão” há muito tempo, numa edição da Nova Fronteira. Essa releitura me proporcionou mais do que um prazer, mas a descoberta de um livro maior do que eu imaginei quando da primeira leitura.

O exemplar da Nova Fronteira emprestei para um amigo, e com ele ficou. A versão eletrônica da nova edição ocupa agora um lugar que eu não sabia que ocupava.

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3 thoughts on “Pantaleão me visita novamente: uma releitura de Llosa”

  1. Engraçado, li esse livro (Pantaleão) não tem muito tempo, e após algumas páginas com o sorriso no canto da boca acabei cansando um pouco da técnica empregada por Llosa. Acho um livro menor dele, embora tenha méritos inegáveis.
    Quero muito ler Dois Irmãos. E Pastoral Americana é mesmo um romance maiúsculo de Roth. Até hoje me comovo ao lembrar do Sueco Levov e seu desgosto pelos caminhos que a filha tomou. É um personagem palpável até demais.

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    1. A descrição de Philip Roth me marcou demais. Li Pastoral há uns 10, 12 anos, e até hoje consigo visualizar cenas do livro. Gostei de Pantaleão na primeira leitura, mas acho que fiquei com a sua sensação na época. A releitura me caiu melhor.

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