Comentário, Portugal

Um português que é uma máquina de lançar livros

Gonçalo M. Tavares é uma espécie de prodígio. Nascido em 1970, publicou seu primeiro livro em 2001. Com 12 anos de carreira literária, já tem mais de 30 livros publicados – uma média de 2,5 livros por ano.

Além de romances, ele também já publicou poesia, teatro, ensaio e contos. Recebeu inúmeros prêmios, principalmente pelo romance “Jerusalém” (Companhia das Letras), eleito o livro da década pelo jornal português “Público”.

1571538Li “Jerusalém”, um belo romance em que o autor narra a história de diversos personagens para levá-los a uma conclusão não tão tradicional. Loucura e bom humor se misturam com classe.

“Jerusalém” faz parte da tetralogia “O Reino”. Já a série “O Bairro” lista dez títulos. É muita informação numa época em que selecionar é primordial.

42137314Li recentemente “Canções Mexicanas” (Casa da Palavra), que se supõe um livro de viagem. Cheguei ao final com dificuldade, mesmo para um livro que não chega a 80 páginas. Dito como um livro ousado e desafiador, constituído de 27 contos que retratam a Cidade do México e sua cultura, “Canções Mexicanas” é sim um desafio, quase um enigma para o leitor.

Já li trechos de outros livros em livrarias que me desanimaram profundamente e não me conquistaram. Experimentei “Canções Mexicanas” pois imaginei que um livro de viagem pudesse ser mais “legível” – mesmo com a experiência desoladora que tive com “Viagem à Índia” (Leya) em um café.

Ao pensar neste post, levantei a questão: como se queixar de alguém que está produzindo, escrevendo e publicando?

Tanta produção acaba por cair no vazio. Quem acompanha uma biografia tão extensa, criada em um curto espaço de tempo? E como manter a qualidade? Quem quiser conhecer a obra de Tavares deve começar por onde?

O lado prolífero de Tavares entrega obra atrás de obra, quase sem dar tempo para o leitor respirar de um título a outro. Mas qual o problema disso? Nenhum, claro. Melhor que seja assim, que seja ela a publicar tanto. O que talvez eu quisesse dizer com este post é que Tavares não me engana mais.

José Saramago o achava um “gênio”. Não vi nada disso em Tavares.

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