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Do FIQ para casa: a descoberta de autores e HQs

As leituras foram interrompidas no fim de semana prolongado assim que cheguei do FIQ BH (Festival Internacional de Quadrinhos). “A Cidade dos Anjos Caindo”, de John Berendt, e “Conversas com Kubrick” ficaram descansando enquanto devorava HQs adquiridas na Serraria Souza Pinto, onde aconteceu o FIQ.

O FIQ permitiu, a quem o visitou, descobrir autores e produções que trafegam à margem das grandes editoras. Só marcaram presença a Devir e a Panini, as outras foram representadas pelas lojas Comix e Leitura. Foi possível descobrir autores brasileiros e estrangeiros que produzem de forma artesanal ou que não recebem tanta divulgação.

O mais interessante foi mergulhar na produção nacional. Encontrei desde HQs mambembes, que lembravam os velhos fanzines vendidos nas portas de cinema e faculdades, até edições luxuosas, em inglês e com encadernações especiais.

Nas pouco mais de três horas que fiquei no pavilhão da Souza Pinto, me deparei com tipos que pareciam personagens de “Big Bang Theory”. Vi artistas talentosos produzindo e ensinando.

Fiz uma boa compra no FIQ, mas poderia ter levado mais se algumas lojas aceitassem cartão ou se a Serraria tivesse caixa eletrônico. Os preços estavam bons e tinha muita coisa boa.

Aqui vai uma amostra do que eu trouxe.

tumblr_lucdeliI131qg4bpc“Love Hurts”. De Murilo Martins, traz uma homenagem ao R.E.M. – o título deriva da canção “Everybody Hurts”. O fim da banda é tratado de forma memorialística. Independente, merece ser mais conhecido. Seu Tumblr é um bom caminho.

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“Aparecida Blues”. Publicação da Beleléu, de Biu e Stêvz. É uma história de amor nada convencional. A leitura viaja pela música e por labirintos, em que os diálogos muitas vezes inexistem para dar espaço à interpretação visual. A HQ pode ser lida online na Revista Beleléu, assim com outros títulos da editora.

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Cara, Eu Sou Legal”. Do coletivo 23,5, Marília Bueno lançou sua primeira HQ solo. Como uma coletânea de tiras, o livro brinca com as aventuras sexuais nem sempre bem sucedidas de uma jovem. Bom humor que retrata situações que poderiam ser simplesmente constrangedoras. A HQ foi financiada por meio do Catarse.

 

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“As Coisas que Cecília Fez”. Publicado de forma independente por Liber Paz, conta a história de uma mulher, mãe e casada, que reencontra um antigo amor que a faz retomar memórias.

 

 

 

 

30255581“Monstros!”. Sem diálogos, a HQ de Gustavo Duarte se passa em Santos, invadida por monstros que só não conseguem assustar o velho Pinô, dono de bar, pescador e contador de histórias. Publicada pela Quadrinhos na Cia.

 

 

 

 

 

15015370“Mundo Fantasma”. De Daniel Clowes, autor de “Wilson” (Quadrinhos na Cia). É considerada uma das melhores HQs já publicadas. Duas garotas enfrentam o fim da adolescência e a chegada da idade adulta numa cidade recheada de tipos estranhos e sem muita perspectiva. O humor ácido de Clowes surge de forma econômica, a destruir paradigmas. Foi lançada no Brasil pela Gal Editora e virou filme nas mãos de Terry Zwigoff, com Scarlett Johansson e Thora Birch nos papéis principais.

 

 

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“A Guerra de Alan”. Do francês Emmanuel Guibert, é a biografia do soldado americano Alan Ingram Cope, que lutou na 2ª Guerra Mundial e foi viver na Europa ao final do conflito. Guibert é o autor da série “O Fotógrafo” (Conrad), que conta a história em três volumes da viagem do médico francês Didier Lefévre para o Afeganistão. A colaboração com Cope surgiu por acaso, quando Guibert pediu informações na rua de uma ilha francesa. Cope narrou suas memórias, muito vivas e cheia de detalhes, para Guibert, que preparou o roteiro e desenhou. A HQ é de uma riqueza ampla, carrega um tom memorialístico que ultrapassa o interesse pelo conflito para chegar à natureza humana. Amigos, companheiros de batalha, superiores, familiares, as cenas chegam à mente de Cope como um fato de ontem, frescos e sem censura – mesmo quando ele cometeu um erro. Sensível, a HQ foi publicada no Brasil pela Zarabatana Books, uma das editores mais interessantes atualmente. É da editora as HQs com as crônicas de viagem do canadense Guy Delisle – China, Coreia do Norte e Jerusalém.

500_9788580442946_lucille“Lucille”. A delicada relação entre dois jovens, vivendo numa cidade costeira da França, é retratada com imensa sutileza por Ludovic Debeurme. Jovens que vivem em famílias, cada qual com seus problemas e particularidades. A menina enfrenta sua anorexia e sonha em ser normal, aceita. O garoto é preparado pelo pai para assumir a família. Em algum momento, os dois vão se encontrar e embarcar numa história de amor em que entrega e confiança passam a ser elementos essenciais para os dois. O francês Debeurme gosta do silêncio, economiza nos diálogos e faz com que os desenhos ganhem força. Das melhores HQs que li nos últimos anos. “Lucille”, a primeira parte – “Renée”, já lançada no exterior, é a segunda – saiu no Brasil pelo selo Barba Negra, da Leya, e que foi fechado no final do ano passado. A editora assumiu o catálogo. Resta agora esperar para que a Leya publique a parte final da série.

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