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“Só usa a razão quem nela incorpora suas paixões”: os 35 anos de “Um Copo de Cólera”

raduan-nassarRaduan Nassar é o autor do meu livro de cabeceira, aquele que a gente chama de favorito, o eleito para levar para uma ilha deserta, o que visitamos de tempos em tempos: “Lavoura Arcaica” (Companhia das Letras).

Li pela primeira vez em 2005, tardiamente, já quando a obra completava seus 30 anos. Li e reli. Li o que me foi possível ler de Raduan e sobre o escritor, que lançou apenas dois romances e um livro de contos.

Recluso, trocou a literatura pela agricultura.

Tive a honra de participar de uma coletiva, uma rara entrevista e presença de Raduan, quando a edição especial de 30 anos de “Lavoura” foi lançada.

Banner_Um_Copo_de_ColeraVoltei a Raduan agora porque acabou de sair a edição comemorativa dos 35 anos de “Um Copo de Cólera” (Companhia das Letras). A novela é das coisas mais intensas já escritas. Assim como seu antecessor, virou filme.

O lançamento funciona mais como um fetiche para quem já tem a edição anterior. A capa dura repete o projeto gráfico da especial de “Lavoura”. Há apenas indicações de críticas, resenhas e ensaios e a ficha do versão cinematográfica. Só.

E só é muita coisa.

Principalmente para quem tem um exemplar já todo anotado, pois agora pode guardar ao lado uma edição nova.

*****

“Já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital (…) negado o respiro, me foi imposto o sufoco.”

“Me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi o exílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes.”

“Só usa a razão quem nela incorpora suas paixões.”

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4 comentários em ““Só usa a razão quem nela incorpora suas paixões”: os 35 anos de “Um Copo de Cólera””

  1. Não sei se você se tocou, mas é curioso que seus dois últimos textos falem de autores bissextos e reclusos. Um que você adora e outro que não lhe conquistou.
    Não li Raduan. Comprei uma vez Um copo de cólera e comecei, mas larguei logo no início. E ele acabou indo num bolo em troca de Os subterrâneos, que então era raríssimo. Gosto muito de Pedro Páramo. Da névoa que nos separa da história. Do permanente sentimento de sonho. Estamos em lados opostos nesse caso.

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    1. Não tinha percebido a sequência. O post do Rulfo estava programado, mas o do Raduan Nassar surgiu de última hora: comprei o livro à tarde e escrevi à noite. É, neste caso, estamos de lados opostos. Mas me permita uma sugestão: leia Lavoura Arcaica.

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